O tema da prostituição é debatido no VI Fórum Latino-americano e do Caribe sobre HIV/Aids e DST

 O evento está sendo realizado em São Paulo/SP, entre os dias 28 e 31 de agosto, por meio do desenvolvimento de diversas atividades (cursos, conferências, comunicações, oficinas, conversas, mesa-redonda, Tenda Paulo Freire de Educação Popular e Saúde, etc).

 A temática do trabalho sexual e da prostituição foi abordada em mesas-redondas intituladas “Profissionais do Sexo I e II”, nas quais foram apresentadas comunicações de trabalhos desenvolvidos no Brasil, Chile, Guatemala e México. Além disso, hoje pela manhã foi realizada a palestra “Prostituição, direitos e enfrentamento de vulnerabilidades no contexto da América Latina”, que teve como debatedoras  Angela Villón (Associação Miluska Vida e Dignidade – Peru), Gabriela Leite (Davida – Brasil), Laura Murray (Columbia University – USA) e Ilana Moutian (USP – Brasil) e a moderadora Elisiane Pasini (Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais/DF – Brasil).

Professor Boubacar Barry ministrará conferências, em São Carlos, sobre cultura, sabedoria e história africanas

A Universidade Federal de São Carlos, por meio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, do Programa de Pós-Graduação em Educação, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia, do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas e do Grupo de Pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos, estará recebendo a visita do Prof. Dr. Boubacar Barry, considerado por seus pares como um dos mais respeitados e importantes historiadores e pesquisadores da cultura africana. O Prof. Dr. Kabengle Munanga da USP, considera-o “um dos melhores historiadores africanos de sua geração”.

Boubacar Barry é professor e pesquisador junto ao Departamento de História da Universidade Cheik Anta Diop, em Dakar, capital do Senegal desde os anos 1960, é integrante do Conselho para o Desenvolvimento da  Pesquisa em Ciências  Sociais na África (CODESRIA), participou da elaboração da História Geral da África, obra  cuja tradução para o português foi promovida pela UNESCO em colaboração com a UFSCar, sob a coordenação do Prof. Dr. Valter Silvério (UFSCar).  Prof. Barry, também é notadamente conhecido pela pesquisa em e sobre Futa Jalon,  região da Guiné-Cronaqui, bem como pela coleção de documentos e objetos de memória que organizou sobre a história e cultura dos povos que ali vivem.

O Prof. Boubacar Barry realizará duas conferências: a primeira “Cultura, Sabedoria e Historia Africana: contribuições para  políticas de igualdade racial” , no dia 29 de agosto (às 17h, no Auditório 1 da Biblioteca Comunitária da UFSCar/ área norte) .  A segunda conferência “As línguas na construção da identidade africana: tradição e poder”  será realizado no dia 30 de agosto ( às 19h, no Centro Municipal de  Cultura Afro-Brasileira  Odette dos Santos, localizado na Rua Dona Alexandrina, 844).

Seminário Estéticas da Periferia

Entre os dias 21 e 30 de agosto será realizada a segunda edição da mostra cultural e o seminário Estéticas das Periferias – Arte e cultura nas bordas da Metrópole. O objetivo do evento é exibir e discutir a cultura feita nas periferias, com foco na produção artística, sua qualidade e originalidade, e não apenas os aspectos sociais a ela relacionados.

Pretende-se aprofundar a reflexão estética pensando a periferia para além das fronteiras geográficas, explicitando a diversidade de periferias, colocando-as no centro do debate. A curadoria da mostra e do seminário é coletiva, delas participaram mais de 50 pessoas, entre artistas, programadores e acadêmicos.

O seminário será realizado entre os dias 27 e 30 de agosto e debaterá quatro temas: 1) O lugar de se fazer arte: a rua como território e espaço de convivência, 2) Circuitos Culturais e Redes, 3) Política cultural para além dos editais, 4) Cultura Digital.

Programação completa em:   http://www.esteticasdaperiferia.org.br/programacao/seminario-3

CENTENÁRIO DE NELSON RODRIGUES

O dramaturgo Nelson Falcão Rodrigues nasceu no Recife em 23 de agosto de 1912, sendo o quinto dos 14 filhos de Maria Esther Falcão e Mário Rodrigues. Viveu maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde morreu, em 1980. Nessa cidade, iniciou sua carreira de jornalista em 1925, aos 13 anos, no diário “A manhã”.

Escreveu sua primeira peça “A mulher sem pecado”, em 1941, e dois anos depois alcançou o sucesso com “Vestido de Noiva” – obra que contém temas que marcaram sua carreira como o sexo e repressão sexual, a morte e os subúrbios. Nas décadas seguintes, os temas continuaram em obras como “Bonitinha, Mas Ordinária” e “Toda Nudez Será Castigada”. Foi taxado por alguns de imoral, por uns de repetitivo, por outros de caricato.

A prostituta é mais uma dentre as diversas personagens que habitam a obra de Nelson Rodrigues. Selecionei o vídeo do conto “Amor mercenário” da série “A vida como ela é”, pois considero que ele retrata muito bem um aspecto que diversas vezes foi relatado pelas mulheres com quem conversei em casas noturnas de São Carlos, qual seja o de que mesmo em “uma casa de amor mercenário” a prostituta não é obrigada a fazer programa com todo cliente que solicita. Outro aspecto interessante levantado no conto refere-se ao uso de “nome de guerra” (pseudônimo) no exercício do trabalho sexual, levando-nos mais uma vez a pensar em como a atribuição de nome sempre é carregada de sentidos que tanto podem afirmar quanto negar a identidade.

Fundo Guarda-chuva Vermelho financiará propostas de grupos e redes de profissionais do sexo

O Fundo Guarda-chuva Vermelho é uma parceria global a fim de subsidiar redes e grupos de profissionais do sexo. O Fundo foi criado em 2012 e existe para apoiar grupos de profissionais do sexo na luta por sua saúde, direitos humanos, direitos trabalhistas e autodeterminação. Esse fundo visa a fortalecer e subsidiar os movimentos pelos direitos das pessoas que exercem trabalho sexual, financiando organizações lideradas por essas pessoas e suas redes nacionais, regionais e globais.

A primeira chamada do Fundo Guarda-chuva Vermelho está aberta de 15/agosto a 15/setembro de 2012. O orçamento total para financiar o primeiro ano será de mais de 500.000 euros para subsídios.  A subvenção será utilizada para uma variedade de necessidades desses grupos e redes dentes elas: reforçar as suas capacidades, tais como gestão e desenvolvimento organizacional, desenvolvimento e implementação de programas, mobilização de recursos, o apoio institucional (salários dos funcionários, aluguel); etc. Só serão aceitas propostas de grupos liderados por trabalhadores sexuais. Não serão aceitas propostas formuladas por grupos que busquem a abolição ou a criminalização do trabalho sexual.

Mais informações disponíveis  em:  www.redumbrellafund.org

Promotora legal popular solicita posicionamento quanto a notícia preconceituosa veiculada pela Intersom

Daniela da Silva é promotora legal de São Carlos e encaminhou mensagem solicitando posicionamento da população frente às informações depreciativas e preconceituosas veiculadas sobre prostitutas em notícia emitida pela rádio Intersom FM (São Carlos/SP), em 9 de agosto. A promotora legal autorizou a divulgação do e-mail enviado por ela ao autor da notícia Mendes Aguiar.
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Bom dia senhor Mendes Aguiar,
Ouço quase todos os dias o Jornal da Intersom e o Intersom Debates.
Moro em São Carlos há 13 anos e desde que descobri a parte de notícias da rádio, venho acompanhando pois acho o formato bastante interessante.  Formei-me Promotora Legal Popular na primeira turma do curso oferecida pela prefeitura aqui em São Carlos. Uma das funções da promotora legal popular é esclarecer as pessoas acerca dos direitos da mulher.
Pois bem, quinta passada pela manhã, eu ouvia a Intersom quando entrou seu bloco de notícias policiais.  Acompanhei com espanto a notícia a seguir:
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Polícia põe prostitutas para correrem na baixada do mercado

Ontem (08), a Polícia Civil, a Policia Militar, Guarda Municipal e Fiscais da Prefeitura, fizeram uma faxina na baixada do mercado para tentar inibir o comércio sexual. A operação foi realizada ontem pelo fato de ser o quinto dia útil do mês, ou seja, é o dia de pagamento, sendo os maiores interessados os homens aposentados. Durante a operação havia na baixada do Mercado Municipal cerca 12 mulheres de programa aliciando os aposentados. Uma casa na rua Geminiano Costa que era usada para o encontro sexual foi autuada em R$ 700.00 e fechado. Uma cafetina, de 56 anos e duas mulheres de programa foram detidas, ouvidas pela delegada Denise Szakal na Delegacia da Mulher e depois liberadas.
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Meu espanto deu-se pelo seguinte:
1) A chamada da notícia pareceu-me desrespeitosa com as prostitutas, pois dá uma conotação de crime ao comércio sexual. Vender sexo não é crime, é uma ocupação.
2) No corpo da notícia, a palavra “faxina” é bastante ofensiva, pois reforça a ideia de que estas mulheres, ou o serviço que prestam seja algo “sujo”. Isso é bastante grave pois este tipo de postura pode legitimar a violência contra estas mulheres. Não sei se sua intenção foi dizer que estas mulheres mereçam menos respeito que quaisquer outras, mas é o que se pode depreender do texto.
3) A forma como o fato é descrito dá a impressão de que os aposentados não procurariam serviços sexuais se não fossem “aliciados” pelas mulheres. Será mesmo? E ainda que isto seja verdade, um aposentado não tem seu direito garantido pela Constituição Federal de ir e vir e de gastar seu dinheiro com o que lhe provenha (inclusive serviços sexuais)?
Será que este tipo de ação policial não garante apenas o direito de um grupo ao invés de atender a população como um todo?
Prostitutas e aposentados também são cidadãos de direitos.
                                           Atenciosamente,
                                                        Daniela

Intersom veicula notícia que atenta contra direitos das mulheres que prestam serviços sexuais

No dia 9 de agosto, a rádio Intersom FM veiculou em São Carlos uma notícia intitulada “polícia põe prostitutas para correrem na baixada do mercado” de autoria de Mendes Aguiar. Venho por meio deste texto manifestar minha indignação frente a essa notícia, pois considero que ela atenta contra os direitos de mulheres que prestam serviços sexuais, na medida em que afirma que fora realizada uma “faxina na baixada do mercado para tentar inibir o comércio sexual”. O autor utiliza uma triste metáfora, na qual associa a ação policial a uma faxina e, consequentemente, as prostitutas ao lixo a ser varrido da sociedade.
O título da notícia também é infeliz, pois a polícia não tem motivos para colocar as prostitutas para correr, uma vez que essas mulheres não estão cometendo nenhum crime na região do Mercadão, mas sim exercendo sua ocupação.  Vale a pena ressaltar que no Brasil, apesar de inúmeras medidas de repressão, a prestação voluntária de serviços sexuais por pessoas adultas não é tipificada como crime, pelo contrário, é reconhecida como ocupação pela Classificação Brasileira de Ocupações desde 2002. Sendo assim, pessoas adultas não deveriam ser retiradas de uma praça pública por prestarem e/ou demandarem voluntariamente serviços sexuais.
Causa-me indignação perceber que os meios de comunicação ainda insistem em retratar prostitutas como se elas fossem a escória da sociedade, desconsiderando que além da oferta de serviços sexuais também existe a demanda (afinal nenhum cliente é forçado a consumir serviços sexuais). Infelizmente são essas abordagens depreciativas que reforçam o estigma e a violência contra as mulheres que prestam serviços sexuais. Notícias como essas nos levam a pensar: onde foi parar o direito constitucional de ir e vir? Esse é realmente um direito de todos os cidadãos ou é privilégio de um grupo seleto que se julga apto a formular (e a impor) os chamados “bons costumes”?

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