Blog apresenta contribuição de lésbicas, gays e travestis

Lançado em 18 de janeiro o Blogay do Folha.com é assinado por Vitor Ângelo (formado em jornalismo pela PUC-SP e cinema pela USP). De acordo com o autor,  o objetivo do blog é dialogar com “héteros, homossexuais, fashionistas, intelectuais, baladeiros, artistas, politicamente incorretos e minorias em geral”.

O Blogay é uma iniciativa que se contrapõe à homofobia manifesta nas ações de participantes de reality shows e outros programas veiculados na TV, bem como nos ataques protagonizados, recentemente, por jovens na Avenida Paulista. Nas colunas, pensamentos e entrevistas do blog, Vitor Ângelo procura desvelar a contribuição de travestis, lésbicas e gays para o mundo, questionando assim  a tendência de distintos meios de comunicação em naturalizar a homofobia.

O endereço do blog é www.folha.com/blogay . Vale a pena conferir, pois essa iniciativa além de configurar-se como forma de valorização da diversidade também pode favorecer a reflexão acerca dos diferentes modos de vivenciar a sexualidade e de ser/estar no mundo.

O jornalista Vitor Angelo que assina o Blogay no Folha.com

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Livro Leão-de-chácara – João Antônio

 

Capa do livro Leão-de-chácara - 7a. edição

 

Leão-de-chácara é o título do segundo livro do autor publicado em 1975, com o qual ganhou o prêmio de ficção da Associação Paulista de Críticos de Arte. A obra reúne quatro contos apresentados como: Três contos do Rio (Leão-de-chácara, Três Cunhadas- Natal 1960 e Joãozinho da Babilônia) e Um conto da Boca do Lixo (Paulinho Perna Torta). O conto que dá nome ao livro é narrado por um homem que exerce a “leonagem”, ou seja, trabalha como porteiro de casas noturnas no Rio de Janeiro. As recordações do narrador são marcadas pela análise da função atribuída a cada pessoa que atua em contextos prostitucionais, bem como descortina o que motiva algumas decisões políticas que visam a controlar o exercício da prostituição.

“O ano preto do trottoir foi o do IV Centenário. Os homens dos costumes partiram ansiosos para as ruas e de supetão fecharam hotelecos, meteram muito explorador e mulheres na cadeia. Vieram outras polícias e engrossaram a barra. Um tempo feio, um rabo de foguete. Os homens queriam limpar a cidade que ia receber gente importante e precisava ficar bonitinha para o IV Centenário” (trecho extraído do conto que dá nome ao livro)

Os contos de João Antônio trazem à tona as experiências vividas por membros de grupos sociais marginalizados, tais como malandros, jogadores de sinuca, prostitutas, leões-de-chácara, meninos de rua, dentre outros.

João Antônio

Os rótulos de “escritor do submundo” ou de “autor da marginalidade” acabam por reduzir os diversos sentidos da obra de João Antônio composta por textos que nas palavras de Jesus Antônio Durigam “buscam a todo momento desvendar e sustentar, ao nível dos cortes não cicatrizados, as contradições que tecem a realidade significativa, sempre com o olhar voltado da periferia para o centro, do resíduo para o sistematizado, do excluído para o integrado.