UFSCar promove curso de extensão sobre equidade no acesso à pós-graduação

UFSCar promove curso de extensão “Equidade no acesso à pós-graduação para populações sub-representadas”, voltado ao aprimoramento da preparação acadêmica de interessados em participar de processos seletivos para cursos de mestrado no Brasil ou no exterior. Podem participar do processo seletivo para as 30 vagas disponíveis nesta primeira turma do curso candidatos negros, indígenas, com deficiência visual ou com deficiência física (que sejam dependentes permanentes de cadeiras de rodas). Dentre estes, será dada preferência a candidatos pertencentes a grupos socioeconômicos desfavorecidos.

O curso está organizado em quatro blocos: redação acadêmica em Português; língua estrangeira instrumental – Inglês; metodologia de pesquisa e elaboração de projeto; e seminários temáticos. Outros conteúdos poderão ser desenvolvidos de acordo com o perfil e interesses dos participantes do curso. Essa é uma iniciativa das pró-reitorias de Pós-Graduação e de Extensão da UFSCar, com apoio da Fundação Carlos Chagas e da Fundação Ford que, no primeiro semestre de 2011, abriram chamada pública para universidades que já tinham experiência com ações afirmativas na graduação.

Neste sábado, 24 de março, o curso será iniciado com a participação da professora Dr. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva que discorrerá sobre “Equidade na pós-graduação: potencialidades e desafios”. A palestra é aberta a professores, técnicos administrativos, integrantes de movimentos sociais, estudantes e demais interessados. A segunda turma do curso será desenvolvida em 2013. Mais informações disponíveis no site da ProPG, em www.propg.ufscar.br.

Sobre sorteio de acompanhante em boate de Batatais

Na quinta-feira, dia 15 de março foi divulgada uma matéria no Caderno Folha Ribeirão do jornal Folha de São Paulo sobre uma casa noturna localizada na cidade de Batatais/SP que sorteava uma acompanhante aos clientes que visitassem o local.

Por ocasião da realização da matéria, foram coletados depoimentos de mulheres que distribuíam panfletos divulgando a boate e o referido sorteio, bem como da proprietária do estabelecimento. Uma das mulheres ouvidas disse que não via problemas na promoção anunciada. A proprietária da casa afirma que as mulheres consentiram em participar do sorteio e que o prêmio concerne ao cliente o direito apenas de fruir uma noite bebendo em companhia da mulher selecionada e que, portanto, não se trata de favorecimento à prostituição.

No Brasil, não é tipificada como contravenção a prestação de serviços sexuais mediante obtenção de pagamento, mas o favorecimento à prática da prostituição, bem como o lenocínio e manutenção de casa de prostituição são crimes de acordo com o código penal brasileiro. Essa contradição legal, que por um lado tolera a prática da prostituição e por outro condena quem a favorece, em vez de proteger os direitos de quem se ocupa dessa atividade, só as expõe à exploração.

Em vez de criar medidas que levem os empregadores a assumirem responsabilidades trabalhistas como pagamento de fundo de garantia e outros direitos frente a seus empregados, a justiça brasileira dá continuidade ao processo de “caça às bruxas” que opta por prender os donos de casas noturnas – cabe ressaltar que nem todos são presos, isso geralmente é observado em pequenos estabelecimentos que funcionam sem alvará, pois as grandes boates sempre dão um “jeitinho brasileiro” e conseguem atender aos tramites legais para continuarem atendendo ao público – já os profissionais do sexo seguem sua andarilhagem, sempre viajando de cidade em cidade, em busca de locais que ofereçam melhores condições de trabalho.

Ao ler a matéria sobre a boate de Batatais, muitos se contentam em saber que o estabelecimento foi fechado e sua proprietária foi presa, acreditam que assim são preservados “os bons costumes” e seguem confiantes por considerar que dessa forma minimizaremos a exploração e o processo de objetificação das mulheres. Infelizmente, poucos se perguntam por que mulheres consentem em participar desse tipo de sorteio e por que o consideram normal. Ironicamente me pergunto se esse tipo de sorteio só é realizado no “submundo da prostituição”? Será que esse tipo de sorteio é realmente mais apelativo que as propagandas de cerveja veiculadas cotidianamente nos mais diversos horários na televisão brasileira?

IV Parada do Orgulho LGBT

Em São Carlos, no próximo domingo dia 18 de março ocorre a IV Parada do Orgulho LGBT, a partir das 14h. O trio elétrico sairá da Avenida São Carlos, próximo ao Terminal Rodoviário, e seguirá até a Praça do Mercado, onde acontecerão shows com a cantora Lorena Simpson e a Banda Barrados do Baile.

 A cada ano aumenta o número de participantes, em 2011, o evento contou com um público de cerca de 50 mil pessoas.

 

Vocação ou não: o exercício do trabalho sexual não anula a condição de ser mulher

Fabiana Rodrigues de Sousa

fabianalhp@yahoo.com.br

(Doutora em Educação/PPGE – UFSCar)

https://grupodeestudostrabalhosexual.wordpress.com

Recentemente, observamos uma polêmica em torno de uma matéria publicada no dia 27 de fevereiro, no jornal a Folha de São Paulo, na qual o autor fazendo uma releitura de Nelson Rodrigues afirmou que a vocação primeira e mais sublime da mulher é ser prostituta.  Em resposta a essa polêmica, no presente artigo elaborado na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher – marco das lutas femininas em busca da efetivação dos direitos das mulheres, ressalta-se que sendo vocação ou não o exercício do trabalho sexual não anula a condição de ser mulher. Ser prostituta é antes de tudo ser mulher, isto é, para além do exercício do trabalho sexual a vida da prostituta possui outras faces e redes de interações (família, amizades, vínculos afetivos). Ao atribuir sentido às experiências vividas, a mulher prostituta vai (re)criando a si e sua prática, não há, portanto, uma maneira universal de ser mulher e prostituta, bem como não existem condutas que sejam universalmente caracterizadas como atos prostitucionais, tais significações vão tomando corpo historicamente, isto é, modificam-se conforme tempo e lugar.

O ser humano – homem, mulher ou transgênero – não nasce feito, vai se fazendo nas práticas sociais de que toma parte, na obra O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir afirma que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, ou seja, desde a infância às mulheres são orientadas a adotar certos comportamentos e vestimentas, sofrem exigências e participam de jogos que conformam modos distintos utilizados para educar homens e mulheres, os quais delineiam a cada um diferentes perspectivas de futuro e papéis sociais. De acordo com a autora, a passividade imposta às mulheres não é resultado de um dado biológico, mas da ação de educadores que desde os primeiros anos ensinam as mulheres que “para agradar é preciso procurar agradar” e “renunciar sua autonomia”, assim, elas vão sendo desencorajadas de ousar a afirmarem-se enquanto sujeitos.

No movimento de sua existência, as mulheres incorporam ensinamentos que são frutos de uma educação diferenciada e vivenciam na pele suas consequências. O silêncio que envolve os corpos das mulheres de que nos fala Michele Perrot, na obra Os excluídos da História, constitui-se como um dessas consequências. Sendo o pudor uma marca associada à feminilidade, é comum o corpo da mulher figurar no discurso de poetas, médicos ou políticos como objeto do olhar e desejo dos homens, todavia, o corpo feminino se apresenta calado e “as mulheres não falam, não devem falar dele”. De acordo com a autora, o peso desse silêncio se manifesta de diversas maneiras nos corpos femininos, pela imposição de atributos e padrões de comportamentos como discrição, comedimento nos gestos e na expressão das emoções. Esse silêncio também envolve a vida íntima do corpo da mulher que permanece oculta para além da dimensão da procriação, “o prazer feminino é negado” e, para algumas pessoas, é interpretado como “coisa de prostitutas”.

Questionar esse silêncio, ter coragem e ousadia para ir além do que é imposto socialmente às mulheres e criar novas possibilidades de ser/estar no mundo e de vivenciar a sexualidade são exemplos de contribuições de prostitutas no sentido de se contrapor à normatização que visa a controlar o que deve ou não ser executado por mulheres. Com intuito de promover a autoestima de mulheres que se ocupam do trabalho sexual e de reivindicar a efetivação de seus direitos foi criada a Rede Brasileira de Prostitutas. Gabriela Leite – precursora dos movimentos brasileiros de organização de prostitutas – compreende a prestação voluntária de serviços sexuais como um direito sexual, ou seja, a pessoa tem o direito de exercer sua sexualidade de distintas maneiras e pode inclusive decidir se irá ou não cobrar pela oferta de serviços sexuais, uma vez que na legislação brasileira isso não é tipificado como crime desde que realizado voluntariamente por pessoa adulta.

A tendência em dividir e classificar as mulheres em função dos comportamentos adotados – boas mulheres (aquelas que seguem as convenções atribuídas ao papel feminino) x más mulheres (as que não seguem tais convenções), em vez de favorecer a promoção de seus direitos, configura-se como entrave à união e organização das mulheres na luta pela transformação dos mecanismos de opressão com que se deparam. Polemizar se a vocação primeira da mulher é ser prostituta ou ser mãe, é estar no espaço público ou doméstico, é fazer sexo por dinheiro ou por amor, infelizmente, só reafirma que ainda estamos pautados numa lógica normativa que visa a controlar a ação das mulheres ao determinar comportamentos tidos como apropriados e outros que devem ser evitados. Almeja-se que a comemoração do Dia Internacional da Mulher favoreça o questionamento e a problematização dessa tendência normativa, para que enfim as mulheres – prostitutas ou não – sejam reconhecidas como sujeitos de sua prática e possam agir sem receio de receberem o rótulo de desviantes de sua “sublime vocação”.

Prostituta como primeira e mais sublime vocação da mulher: matéria polêmica publicada na Folha

 Por Flávia do Carmo Ferreira (Mestre em Educação/UFSCar)

Na última segunda-feira, 27/02, Luiz Felipe Pondé escreveu em sua coluna semanal, no jornal Folha de São Paulo, que a vocação primeira da mulher é ser prostituta: “Assim como a prostituta é a primeira e a mais sublime vocação de toda mulher, afirmo: sou lido, logo existo. Saber que eu tenho um preço é uma das formas mais belas de libertação que conheço”. A frase faz alusão a um relato do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, publicado em 1967 no “Correio da Manhã”, em que ele conta os bastidores e ensaios da peça “Vestido de Noiva”, quando havia disputa entre as atrizes pelo papel de meretriz. Tão logo o conseguiam, escreve Nelson, se punham a interpretá-la “com naturalidade, graça, movimento exato e inflexão certa”, como se fossem vocacionadas para o ofício que representavam. Pondé estendeu a colocação ao gênero feminino e no mesmo texto diz que as indignações “da classe média” com a morte das baleias e com a fome na África não o preocupam e até mesmo soam falso, pois ele escolherá, citando uma passagem de o estrangeiro de Albert Camus, a hostilidade primitiva do mundo e mulheres fáceis com vestidos de verão.

Polêmica lançada. E, como resposta, os leitores do jornal se mobilizaram. Entre os que se sentiram agredidos pela coluna está a cineasta Paola Prestes, que puxou por e-mail um cordão de protestos. “Pondé revela uma arrogância ciclópica do meio intelectual contemporâneo, construído mais em divãs de psicanálise do que fruto de um pensamento rigoroso e sensível”, diz, no texto endereçado a cineastas e artistas, que endossaram a crítica. Para a escritora e militante feminista Rose Marie Muraro, “o argumento expressado é falacioso”. “A vocação primeira da mulher é a maternidade. A prostituição tem raízes patriarcais e motivação econômica. Pondé quis ser provocativo e foi apenas tolo, além de demonstrar desconhecimento da história.” O argumento da feminista parece não considerar que o mito da maternidade também possui raízes patriarcais, o qual durante muito tempo relegou as mulheres aos espaços privados e aos cuidados dos filhos e da família, dificultando que elas ocupassem os espaços públicos e se inserissem no mercado de trabalho.

Diretora da Daspu, grife de roupas criada e divulgada por prostitutas, Gabriela Leite defendeu o ponto de vista do dramaturgo e aGabriela Leite no Programa Roda Viva - 2009 alusão. “Nelson é moderníssimo, as pessoas é que não são”. Em entrevista cedida em 2009 ao programa Roda Viva, Gabriela chama atenção para que a prostituição seja vista como um direito sexual, ou seja, que a pessoa tenha o direito de se assumir enquanto puta, que possa vivenciar sua sexualidade como queira, inclusive, prestar serviços sexuais em troca de dinheiro. Poder decidir as razões pelas quais se tem ou não relações sexuais, como tê-las e negociar trocas financeiras, assim como todas as condições dessa prática, deveria ser compreendido como um direito sexual das pessoas adultas, sem que isto signifique uma culpabilização moral. Gabriela fala ainda que haverá um dia em que ser filho da puta será um elogio e não uma ofensa.

São Carlos realiza atividades em homenagem ao Mês da Mulher

Com intuito de promover a visibilidade dos direitos das mulheres, serão realizadas em São Carlos diversas atividades ao longo do mês de março como forma de homenagear o Dia Internacional da Mulher –  data que marca a luta de todas as mulheres pela igualdade de oportunidades.

Segue, abaixo, programação do mês da mulher elaborada pela Divisão de Políticas para as Mulheres de São Carlos.

 

 

 

 

INTEGRANTE DO GETS DEFENDE TESE EM EDUCAÇÃO SOBRE PRÁTICA DA PROSTITUIÇÃO

Fabiana R. Sousa (GETS)

A integrante do GETS – Fabiana Rodrigues de Sousa – defendeu, no dia 29 de fevereiro, a tese “A noite também educa: compreensões e significados atribuídos por prostitutas à prática da prostituição” junto ao Programa de Pós-graduação em Educação da UFSCar.

Com base no referencial da educação popular e da fenomenologia, o trabalho teve como objetivo compreender como prostitutas de casas noturnas de São Carlos se educam nas experiências vivenciadas na noite. Em breve o arquivo do trabalho será disponibilizado no blog do GETS.

Participaram da banca de defesa Maria Waldenez de Oliveira (orientadora do trabalho e professora da UFSCar), Adriana Piscitelli (Núcleo PAGU – UNICAMP), José Miguel Olivar (Núcleo PAGU – UNICAMP), Luiz Gonçalves Junior (UFSCar) e Sergio Toro-Arévalo (Universidade Austral de Chile).

Banca defesa - Luiz, Sergio, Wal, Adriana, José Miguel

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