Marchas de Prostitutas em repúdio à violência – Colômbia e Peru

Marcha na Colômbia

Na Colômbia, no sábado dia 25 de fevereiro, foram organizadas marchas em repúdio à violência contra as prostitutas e mulheres em geral. Em meio ao colorido e a músicas, prostitutas, integrantes das comunidades LGBTT, estudantes, membros de organizações feministas e outras pessoas que repudiam a violência se organizaram e realizaram marchas em nove Cidades na Colômbia, dentre elas, Bogotá, Cali, Manizales, Barranquilla, Villavicencio, Medellín, Tunja, Bucaramanga, Pereira e a ilha caribenha de San Andrés.

No porto caribenho de Barranquilla (norte), “Mar Candela” uma das líderes da jornada anunciou que “a marcha pretendia ecoar a voz daquelas mulheres que vivem um inferno e socialmente tem que permanecer caladas porque de alguma maneira se lhes responsabiliza ou culpabiliza”.

No Peru, no dia 1º. de março, será realizada a marcha “Zona segura de trabalho sexual – direito ao trabalho” que repudia o confinamento de pessoas trabalhadoras do sexo nas chamadas “zonas rosas”.

 Fonte: http://peru21.pe/2012/02/25/mundo/marcha-prostitutas-colombia-2013390

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UNA MALA MUJER – autobiografia de uma prostituta

Montse Neira* lança, na Espanha, o livro “Una mala mujer: la prostitucion al descubierto” que consiste numa autobiografia publicada pela Plataforma Editorial.

O livro apresenta as experiências de uma mulher que exerce prostituição e que há muito vem lutando contra o estigma social que recai sobre as pessoas que se ocupam dessa atividade. Defendendo sempre a dignidade daqueles que prestam serviços sexuais, a autora desvela uma realidade social que ainda permanece oculta devido a tanto preconceito e aos estereótipos que frequentemente são veiculados na mídia, os quais insistem em associar o exercício dessa prática com a miséria humana.   Questionando abordagens e  manchetes sensacionalistas e vitimizantes, Montse Neira descortina outras faces da prática da prostituição.

A obra pode ser adquirida pela internet: www.plataformaeditorial.com

Mais informações sobre  o livro em: http://unamalamujer-montseneira.blogspot.com/

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* Montse Neira escreve no blog http://prostitucion-visionobjetiva.blogspot.com, no qual discorre sobre diferentes formas de apreender a prática da prostituição.

Capa do livro . Fonte: unamalamujer-montseneira.blogspot.com

Estreia no CCBB-SP a peça “Filha, mãe, avó e puta”

No dia 28/fevereiro estreia, no CCBB-SP, a peça “Filha, mãe, avó e puta”, uma adaptação do livro homônimo de Gabriela Leite que narra experiências vividas por essa mulher que encarou a sociedade e manteve firme sua decisão de tornar-se prostituta e de lutar pelos direitos das pessoas que se ocupam dessa atividade.

Dirigida por Guilherme Leme e com a atuação de Alexia Dechamps e Louri Santos, a peça é exibida de terça a quinta, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil-SP localizado na Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. Mais informações disponíveis em: (11) 3113-3651/3113-3652 e www.bb.com.br

O espetáculo traz a protagonista numa entrevista, compartilhando com o público suas memórias. Antes da chegada a São Paulo, foram dois meses de ensaio e temporadas no Rio de Janeiro e em Brasília.

Foto: Andre Gardenberg

A polêmica envolvendo o cartunista Laerte chama atenção para os direitos de pessoas trans

Cartunista Laerte Coutinho

Na noite do dia 24 de janeiro, o cartunista Laerte Coutinho se envolveu numa polêmica ao usar o banheiro feminino de uma pizzaria/lanchonete, no bairro de Sumaré, em São Paulo. Laerte se veste de mulher há três anos e se define como pessoa “com dupla cidadania” sendo, portanto, transgênero, isto é, um sujeito que transita entre um gênero e outro.

Ao tentar retornar ao banheiro feminino, Laerte foi impedido pelo dono do estabelecimento. Segundo R. Cunha, um dos sócios da pizzaria, o pedido partiu de uma cliente que ficou “constrangida” porque a filha estava no banheiro na hora em que Laerte entrou.

Laerte denunciou o ocorrido no Twitter favorecendo a divulgação do caso que acendeu a polêmica sobre a questão dos direitos das pessoas transgêneros (transexuais e travestis). De acordo com a lei estadual (SP) n. 10.948/2001* que penaliza manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgêneros, são considerados atos discriminatórios:

I – praticar qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica;
II – proibir o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público;

Embora não aborde questões específicas como o uso de banheiro, o disposto na lei aponta que a identidade de gênero deve ser respeitada. A experiência vivenciada por Laerte mostra que ainda existe muito preconceito com relação à forma como as pessoas percebem as diferentes identidades de gênero e que por trás das placas “masculino” e “feminino” dos banheiros se oculta e, por vezes, se perpetua a tendência que impõe às pessoas o posicionamento em um dos polos dessa dualidade, deixando de considerar que existem alguns sujeitos não se enquadram num único polo, mas transitam entre eles. E nesse sentido, Laerte comenta:

“Você já pensou que esta senhora que ficou incomodada comigo na verdade estava usando a filha como laranja do próprio preconceito? No mundo normal, homem vai em banheiro de homem e mulher em banheiro de mulher. Ela que não aguentou que eu quebrasse essa lógica e transferiu isso para a filha. A menina nem sabia que eu era homem. Deve ter pensado que eu era uma senhora qualquer.”

Tirinha de Laerte

Que essa experiência contribua para o questionamento dessa lógica binária feminino-masculino e favoreça o desvelamento da existência de diversas identidades de gênero.

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* Disponível em: http://www.justica.sp.gov.br/Modulo.asp?Modulo=306

 


MOACIR GADOTTI FALA SOBRE FÓRUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO

Moacir Gadotti - Foto IPF

Em entrevista cedida a Pablo Gentili, o educador Moacir Gadotti – fundador do Instituto Paulo Freire e autor de diversos livros sobre educação – fala sobre o “Fórum Mundial de Educação – Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental” realizado em Porto Alegre entre os dias 24 e 29 de janeiro de 2012. Gadotti reconhece que ainda há muito que se modificar nesses fóruns visando a fomentar a participação de novos grupos sociais e a incorporar mais esforços, para isso sugere fazer uso da virtualidade, como redes sociais e outros meios de comunicação compatíveis com as modalidades de organização e comunicação de diferentes movimentos sociais e grupos de resistência ao neoliberalismo. Ele considera que os Fóruns tiveram um papel fundamental no sentido de questionar a ideologia neoliberal, embora a mesma ainda persista como prática social e marco de ação de governo em diferentes partes do mundo. Apresento, abaixo, trechos que traduzi dessa entrevista.

Gentili: Termina uma nova iniciativa do Fórum Social Mundial e uma nova edição do Fórum Mundial de Educação. Que balanço você faz destas experiências?

Gadotti: Após mais de dez anos do primeiro Fórum Social Mundial (FSM), temos de fazer um balanço, não só pelo tempo transcorrido, mas pelas mudanças ocorridas desde sua criação na América Latina e no mundo. Em 25 de janeiro de 2001, o FSM inaugurou um novo espaço para os movimentos populares e sociais, para as organizações não governamentais, um espaço autogestionário e sem donos. Isto foi expresso em todas as iniciativas criadas a partir do Fórum de Porto Alegre, como o Fórum Mundial de Educação (FME), o Fórum de Juízes e Parlamentares, o Fórum Mundial das Cidades, das Águas e muitos outros que surgiram desde então. Espaços de criação de ideias, de ebulição de propostas e de aglutinação de esforços, de articulação estratégica para gerar energia, força e ação na luta contra o neoliberalismo. A resistência às políticas neoliberais foi um grande aglutinador do primeiro Fórum e de todos os que o sucederam.

É interessante observar que esse Fórum Temático tem um perfil muito mais anticapitalista, porque é o capitalismo que está gerando essa enorme crise, como reconhecem os próprios intelectuais do grande capital, os mandatários das nações mais desenvolvidas do mundo, os dirigentes de seus bancos e agências financiadoras internacionais. Os Fóruns mostraram que o neoliberalismo estava equivocado e disso, hoje, quase ninguém duvida. Considero que um ponto forte tem sido a contribuição no sentido de derrotar o neoliberalismo como ideologia, embora ainda persista como prática. Como prática social e como marco para a ação do governo, de fato, o neoliberalismo ainda continua vivo em boa parte do mundo. Ainda assim, mais de dez anos depois, não podemos deixar de reconhecer que o FSM foi um ator fundamental nesta batalha.

Gentili: E o Fórum Mundial de Educação?

Gadotti: O FME seguiu um caminho semelhante ao do FSM que o deu origem. Crescemos, ganhamos visibilidade e elaboramos uma Plataforma Mundial de Luta pelo Direito à Educação que continua sendo, hoje, um documento de referência para muita gente que luta por uma educação emancipadora. Esta foi uma de nossas grandes contribuições: realizar um aporte a luta pelo direito humano a ter uma educação que seja radicalmente democrática, libertária, emancipadora. Creio que até o FSM de Nairobi, Quênia, em 2007, avançamos, crescemos e multiplicamos nossas ações. Depois, ganhamos capilaridade, é verdade, mas perdemos impacto.

Gentili: Em que reside a novidade deste Fórum?

Gadotti: A grande novidade deste Fórum é que propôs um tema aglutinador e que articula muitas experiências de luta e mobilização: a justiça ambiental. Cada vez mais, os movimentos sociais dão centralidade a luta ambiental, não apenas as organizações ecologistas. Houve uma evolução dos movimentos com relação a este tema na América Latina e em todo o mundo. Por isso, quando trazemos este tema ao campo educativo nos fortalecemos, já que tem um grande potencial de renovação do debate acerca da educação que queremos.

Fórum Mundia de Educação - Catálogo FST 2012

 A entrevista na íntegra pode ser visualizada no endereço:

http://fmejsa.forummundialeducacao.org/?p=979#more