Morre poeta Décio Pignatari

O poeta e escritor Décio Pignatari - Joel Rocha

O poeta e escritor Décio Pignatari – Joel Rocha

O poeta e escritor Décio Pignatari, de 85 anos, morreu na manhã deste domingo – 02.12.12 – no Hospital Universitário da USP, em São Paulo, vítima de insuficiência respiratória.

Nasceu em Jundiaí no dia 20 de agosto 1927 e ficou conhecido na década de 50 por sua participação no movimento concretista. Suas primeiras poesias foram publicadas em 1949, enquanto que seu livro, Carrossel, foi lançado um ano depois.

Em 1952, fundou o grupo e editou a revista-livro Noigandres, com os amigos, os poetas irmãos Haroldo de Campos (1929 – 2003) e Augusto de Campos (1931). Em 1953 formou-se em direito pela Universidade de São Paulo e em seguida vai para a Europa, onde passou dois anos mantendo contatos com diversos intelectuais. Em 1956, o grupo Noigandres lança oficialmente o movimento de poesia concreta, durante a Exposição Nacional de Arte Concreta no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP).

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Em 1956, o grupo lança o Plano-piloto para Poesia Concreta, síntese teórica de seu trabalho poético, traduzido em diversas línguas. Em 1965, ainda com Haroldo e Augusto de Campos, lança o livro Teoria da Poesia Concreta. Além de escritor, faz pesquisas na área de semiótica: em 1969, ajuda a fundar a Association Internationale de Sémiotique, na França. E em 1970, participa da criação da Associação Brasileira de Semiótica.

Em 2009, lançou o livro “Bili com Limão Verde na Mão” pela Cosac Naify. Trata-se de um livro juvenil, com jogo de poesia e prosa, com diversas formas, cores, tamanhos e tipos de letra, pop-ups, cortes multimídia de versos e estrofes.

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HQ Desterro – parceria entre Ferréz e Alexandre de Maio – ecoa vozes da periferia

Foi lançado no dia 23.11.12, na HQ Mix, a HQ Desterro fruto de uma parceria entre Ferréz e Alexandre de Maio.  Esse trabalho marca o lançamento do selo Contraculturas, editado pelo jornalista Carlos Minuano e publicado pela Anadarco Editora. Ecoando as vozes da periferia, Ferréz e De Maio deram vida a uma epopeia essencialmente contracultural, recheada com uma galeria de banidos que se equilibram na perigosa corda bamba dos autênticos desterros modernos, as periferias das grandes cidades.

Detalhe de 'Desterro', HQ de Ferréz e Alexandre de Maio

Detalhe de ‘Desterro’, HQ de Ferréz e Alexandre de Maio

De acordo com De Maio, “o ‘Desterro’ veio para desestigmatizar a imagem do criminoso na periferia, esse cara que todo mundo quer eliminar, matar e banir da sociedade. Mostramos um pouco a origem disso tudo, o que fez ele se tornar um bandido, mostramos para além das estatísticas policiais”, questionando a cobertura rasa feita pela mídia sobre a onda de violência que tomou conta da periferia no segundo semestre de 2012.

Ferréz também fez referência ao clima atual vivido nas periferias e lembrou dos assassinatos dos civis, que para ele tem um culpado direto: “Com o Desterro nós estamos chamando a responsabilidade, vamos poder falar em todo lançamento, em qualquer lugar, sobre a covardia que está acontecendo nas nossas quebradas, das mortes causadas pela Polícia Militar, a PM é a principal assassina nas quebradas.” O escritor de “Capão Pecado” salientou que o livro é, ao mesmo tempo, uma homenagem póstuma às vítimas das chacinas e ataques, e um protesto contra a “guerra que não é nossa.”

O cartunista Laerte esteve presente no lançamento da HQ e empolgado com a possibilidade de ver sua arte se tornando uma plataforma de comunicação para artistas dos subúrbios paulistas. “Os quadrinhos estão, agora, servindo como expressão para as pessoas da periferia, é bom saber disso. Esse caldeirão da periferia é muito maior do que as pessoas pensam. O ‘Desterro’ é um filme, me parece que o Ferréz e o Alexandre tinham essa intenção muito clara e não é comum você ver histórias em HQ de 172 páginas. Quanta coragem, não?”.

Laerte esteve no lançamento de “Desterro”, com Alexandre De Maio (Foto: Igor Carvalho)

Laerte esteve no lançamento de “Desterro”, com Alexandre De Maio (Foto: Igor Carvalho)

 

Fontes:

http://www.spressosp.com.br/2012/11/hq-desterro-debate-a-periferia-em-nova-linguagem

http://centralhiphop.uol.com.br/novochh/arquivo/18690