GETS participa do II Seminário em Sociologia/UFSCar

Entre os dias 12 a 14 de abril, foi realizado o  II Seminário do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar com o tema “Sociedade e Subjetividades: desafios sociológicos da contemporaneidade”. A temática da prostituição foi abordada no evento por meio da participação de Domila do Prado Pazzini (membro do GETS) que apresentou pôster intitulado “As prostitutas das casas olhando para a prostituição nas ruas”.

Decreto proíbe oferta de serviços sexuais em meios de comunicação, no México

Mediante a justificativa de combater o tráfico de pessoas, a LXI Legislatura da Câmara Federal de Deputados do México aprovou decreto que proíbe o anúncio de serviços sexuais em jornais, revistas e outros meios de comunicação como a internet.

 Em vez de minimizar o tráfico de pessoas, o fato de proibir as pessoas maiores de idade que prestam voluntariamente serviços sexuais de anunciarem seus serviços nos meios de comunicação só irá ampliar a oferta em vias públicas, potencializando a exposição de tais pessoas a fatores de risco e à discriminação.

 Jaime Montejo* da Agência de Notícias Independente Noti-Calle (México) destaca que, ao aprovar tal decreto, institucionaliza-se o tráfico de pessoas com fins de exploração sexual em vez de combatê-lo. Pois a intenção humanista que, supostamente, justifica a proposição do decreto de buscar punir aqueles que promovem o tráfico de pessoas através de anúncios em meios de comunicação vai de encontro à realidade mexicana atual. Na qual, prostitutas e demais pessoas que exercem trabalho sexual configuram-se como alvo de extorsão e violência em toda parte do país.

 Coletivos e associações de mulheres que exercem trabalho sexual  (como Trabajadoras sexuales de Tlalpan e de Sullivan e a Brigada Callejera de Apoyo a la Mujer “Elisa Martínez”)  – se opõem a tal proibição, pois também afirmam que o decreto irá aumentar a prestação de serviços sexuais nas ruas e praças públicas, além de ampliar as vulnerabilidades a que estão submetidas as pessoas que exercem prostituição.

 Elvira Madrid Romero* (presidenta da organização Brigada Callejera) comenta que a associação apoiará que pessoas que exercem trabalho sexual façam uso de recurso ante tal decreto que viola suas garantias individuais. Segundo Elvira Madrid Romero, a estratégia que vem sendo emprega é simples, “há quinze dias começamos a convocar quem se anuncia de forma independente, estamos vendo que propostas essas pessoas têm e o que podemos fazer diante desta proibição, que só encarecerá o serviço das “call girl” e nos colocará nas mãos da máfia ou daqueles que idealizaram esta iniciativa.” (tradução nossa).

*http://zapateando.wordpress.com/2011/03/24/prohibicion-de-anuncios-sexuales-en-mexico-incrementara-el-trabajo-sexual

*http://www.periodistasenlinea.org/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=18436

15 anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás

Há 15 anos atrás, no dia de 17 de abril de 1996, uma marcha de trabalhadores rurais que seguia para Belém do Pará foi alvo da violência que culminou em um dos mais sangrentos massacres de nosso país – o chamado Massacre de Eldorado dos Carajás. Por seu simbolismo, a data tornou-se marco na luta pela terra no Brasil e no mundo. Embora tenha causado repercussão mundial, até hoje não houve punição aos criminosos. É sobre isso que escreve Robson Amaral da Silva, em texto, gentilmente, cedido para publicação em nosso blog.

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A IMPUNIDADE AINDA IMPERA!

Robson Amaral da Silva*

 Na verdade a questão agrária engole a

todos e a tudo, quem sabe  e quem não

sabe, quem vê e quem não vê, quem quer

e quem não quer

(MARTINS, 1994)

Talvez, o dia 17 de abril de 1996 não nos remeta a nenhuma data importante, pois afinal, já se passaram 15 anos. Porém, para inúmeras pessoas (e me incluo dentre elas), esta será uma data que não será esquecida. Me refiro ao chamado  “Massacre de Eldorado dos Carajás”, no qual 19 companheiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram brutalmente assassinados, e 69  foram  feridos por policiais militares do estado do Pará. O número assusta, pois estamos tratando de vidas humanas, do gênero humano, e não podemos ser indiferentes a tal situação.

O que nos impressiona também, e talvez muitos não saibam, por não ser interessante saber (pensarão os setores dominantes), é que passados todos estes anos do referido episódio, nenhum dos envolvidos  nos assassinatos  está preso.  Foram realizadas duas condenações, coronel  Mário Collares Pantoja e  major José Maria  Pereira  de Oliveira, mas  os mesmos aguardam julgamento do recurso em liberdade. Infelizmente esta morosidade da nossa justiça é uma faceta já conhecida!

Que este dia não fique marcado somente como “Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária”, instituído por Fernando Henrique Cardoso, então presidente na época do Massacre (alguma relação?), mas como mais um dos inúmeros motivos que temos para lutar por uma sociedade mais digna, justa e solidária.

A luta cotidiana de milhares de Sem Terra é uma luta de todos. Recoloca em pauta, a cada dia, a necessidade de estabelecermos relações efetivamente humanas, articuladas ao processo histórico que abarca a vida de todos. Que diariamente sintamos a necessidade de transformação desta sociedade no sentido de garantirmos existências genéricas ricas e multifacetadas.

 * Possui Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal de São Carlos-UFSCar (2005) e especialização em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG (2008). Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar (2010).

Há 15 anos, 19 trabalhadores foram mortos pela polícia. Apenas dois oficiais foram condenados, mas estão em liberdade. Fonte: http://noticias.r7.com

GETS participa da Semana da Mulher no CAASO

A diretoria do CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira), o colégio CAASO e o GAP promoveram a Semana em Homenagem ao Mês da Mulher nos dias 28, 29 e 30 de março deste ano. Foram debatidos temas como gênero, direito à educação, feminismo e prostituição.

O GETS esteve presente no evento por meio da participação de Fabiana Rodrigues de Sousa (doutoranda em Educação) que ministrou palestra, no dia 29 de março,  apresentando o histórico do movimento social de prostitutas no Brasil. Estiveram presentes na palestra estudantes da USP, professores da rede pública de ensino e do colégio CAASO e outras pessoas da comunidade.

Após a palestra ouve um debate com os participantes a fim de elucidar dúvidas sobre a temática da prostituição e os direitos das prostitutas. Como resultado do evento foi destacada a necessidade das instituições de ensino promoverem ações que favoreçam a discussão e problematização de temas envoltos em preconceito tais como prostituição, machismo, homofobia, dentre outros.

 

Histórico da organização de prostitutas é apresentado em Semana da Mulher no CAASO