Vídeo Funcionárias do Prazer (Vídeo Ativista, 12min37, 2005, DF)

Funcionárias do Prazer foi elaborado por voluntárias do Centro de Mídia Independente de Brasília no principal ponto de prostituição da cidade. No vídeo algumas travestis falam sobre o exercício do trabalho sexual e revelam sua visão acerca dessa prática que, comumente, é retratada de maneira estereotipada pelos meios de comunicação convencionais. Trazendo à tona, um novo olhar sobre a prostituição, o documentário demonstra que embora seja estigmatizada e reprimida com violência, a prostituição existe porque a própria sociedade que a condena, a mantém.

Esse vídeo foi exibido na mostra audiovisual do Seminário Internacional Fazendo Gênero 9, realizada cidade de Florianópolis/SC. Também foi exibido na reunião do GETS em 31 de agosto do presente ano, com intuito de problematizar a discussão do tema “Travestis e trabalho sexual”.

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Participe das Reuniões do GETS

Os participantes do Grupo de Estudos Trabalho Sexual se reúnem às terças-feiras,  quinzenalmente,  a partir das 18h30, na sala 9 do PPGE (prédio do CECH – área sul da UFSCar). Nesses encontros, as pessoas discutem temas ligados ao contexto do trabalho sexual, tais como: relações de gênero, processos educativos, direitos humanos, marginalização e preconceito, organização do trabalho sexual, regulamentação da prostituição, dentre outros. A problematização desses temas é feita a partir do estudo de artigos científicos, textos produzidos por associações de prostitutas, filmes, documentários e outros materiais. No segundo semestre de 2010, serão debatidas as temáticas: travestis e trabalho sexual, saindo do estigma, práticas sociais e processos educativos, educação e prostituição, trabalho de campo e regulamentação da prostituição. Para mais informações, entrar em contato com Fabiana (e-mail: fabianalhp@yahoo.com.br).

Histórico do Grupo de Estudos Trabalho Sexual – GETS/UFSCar

No salão da Rue des Moulins (1894) / Toulouse-Lautrec

No salão da Rue des Moulins (1894) / Toulouse-Lautrec

 

Fabiana Rodrigues de Sousa (doutoranda em Educação/PPGE – UFSCar)

Maria Waldenez de Oliveira (professora do DME e PPGE – UFSCar )

 

 

As atividades do GETS tiveram início em 1998, em parceria com duas casas noturnas de São Carlos/SP. Ao longo dos anos, estabelecemos parceria com novas casas noturnas, algumas delas fecharam e outras abriram. Houve uma ampliação na temática abordada, inicialmente voltada à promoção da saúde reprodutiva, para temas diversificados tais como educação, direitos humanos, gênero, relacionamentos afetivos, corpo, marginalização e preconceito, prática social, trabalho sexual, organização e associações de prostitutas, etc.

As ações educativas e estudos promovidos pelo grupo caracterizam-se pela busca de uma abordagem interdisciplinar, na qual o trabalho sexual é debatido por meio de contribuições advindas de diferentes áreas do conhecimento. Já participaram do grupo alunos de graduação em Pedagogia, Enfermagem, Ciências Sociais, Biologia, Terapia Ocupacional, Imagem e Som, Psicologia e também de pós-graduação em Educação.

O GETS está ligado ao grupo de pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos da UFSCar* Temos realizado inserções em contextos prostitucionais, visando a desvelar processos educativos que se consolidam nas experiências vivenciadas nesses espaços. Com base nas contribuições da Educação Popular e da Filosofia da Libertação, dentre outras, procuramos desenvolver processos de escuta, de convivência e de diálogo com prostitutas, buscando compreender seus modos próprios de viver e de perceber o exercício da prostituição.

Como resultado de nossa convivência com mulheres prostitutas nesse contexto de pesquisa e extensão, podemos destacar a transformação do nosso olhar acerca do trabalho sexual**, o qual vem sendo construído por histórias de mulheres que cotidianamente lutam pelos seus direitos e pela dignidade para si e para seus filhos/familiares. Como trabalhadoras noturnas, se deparam com as mesmas dificuldades que as demais mulheres que trabalham nesse período, falta de creches e demais serviços de apoio às atividades domésticas, falta de transporte público.

O diálogo com prostitutas tem favorecido nossa  compreensão do modo como essas mulheres fazem a leitura de sua realidade e como realizam sua prática, permitindo-nos afirmar que essas mulheres são sujeitos de direito. Contrariando a perspectiva que tende a retratar a prostituta apenas como vítima, temos percebido que as prostitutas são capazes não só de identificar as situações de opressão presentes em seu cotidiano, mas também de criar respostas para enfrentá-las.


* www.processosedutativos.ufscar.br

 

** Cabe destacar que entendemos por trabalho sexual: a prestação voluntária de serviços sexuais por pessoa adulta, mediante acordo prévio no qual é estipulado o tempo, o pagamento e a natureza do serviço a ser prestado. Exclui-se dessa compreensão a exploração sexual infantil e o trabalho escravo.