Documentário “Programa de Senhoras”

O documentário “Programa de Senhoras” (2007) foi elaborado  pela turma da quarta Oficina de Realização de Vídeo do Projeto Olho Vivo (Curitiba/PR), sob coordenação de Luciano Coelho. O vídeo dirige seu olhar para as prostitutas de “meia-idade” e revela que por trás de uma profissão marcada por tabus e preconceitos existem pessoas comuns. O filme mostra o cotidiano, experiências e projetos de vida de cinco mulheres (Cris, 41 anos, Edelzira, 50 anos, Sônia, 44 anos, Karine e Nena) e apresenta depoimentos sobre família, preconceito social, perdas afetivas, amores e sonhos. Vale a pena assistir!

Disponível em: http://www.kinooikos.com/acervo/video/1807/

Filha, mãe, avó e puta: a história de uma mulher que decidiu ser prostituta (Gabriela Leite)

Gabriela Leite foi prostituta da Boca do Lixo, em São Paulo, e da Vila Mimosa,  no Rio de Janeiro, cursou sociologia na Universidade de São Paulo, mas não chegou a se formar. No livro “Filha, mãe, avó e puta: a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, publicado pela editora Objetiva, ela narra sua trajetória desde a infância vivenciada no casarão da Rua Domingos de Moraes, na Vila Mariana, à criação da grife Daspu em 2005.

Já no título do livro surge a primeira polêmica: conciliar as palavras filha, mãe e avó com a palavra puta, além de afirmar a decisão em tornar-se prostituta. Infelizmente, no imaginário popular ainda existe o binarismo que separa a boa mulher (do lar, a filha, a mãe e a avó) da mulher má (mulher pública, de vida fácil, a puta) levando-nos a falsa compreensão de que a prestação de serviços sexuais corrompe a essência feminina de tal forma que prostituta seja incapaz de exercer os papéis socialmente atribuídos às mulheres. Sob esse viés, a prostituta passa a ser percebida como desviante, delinqüente e degenerada, mas existem também aqueles que preferem olhar para essa mulher como uma vítima que “caiu no mundo da prostituição”, provavelmente, pela indução de alguma figura masculina. Gabriela se opõe a essa visão:

 

“O mundo não é feito de vítimas. Todo mundo negocia. Alguns negociam bem, outros mal. Mas cada um sabe, o mínimo que seja, quanto vale aquilo que quer. E sabe até onde vai para conseguir o que quer. Com a prostituta não é diferente (Gabriela Leite)”.

 

Gabriela Leite desvela ao longo de sua narrativa que a prostituta nem sempre é vítima da situação em que se encontra. A prostituta também pode configurar-se como sujeito de sua prática, sendo capaz de identificar fatores opressivos presentes em sua realidade e de criar estratégias para minimizá-los. Foi nas experiências vivenciadas em contextos de prostituição que Gabriela desenvolveu sua formação política e criou, em 1992, a ONG Davida que defende os direitos das prostitutas, a regulamentação da profissão e luta contra a ideia de vitimização que insiste em tratar a prostituição apenas como falta de opção para mulheres em situação de pobreza. Gabriela também é uma das idealizadoras da grife Daspu, criada com as prostitutas da Praça Tiradentes do centro do Rio de Janeiro, no final de 2005, uma alternativa para obter recursos a fim de custear os projetos que visam ao desenvolvimento pleno da cidadania das prostitutas.

O livro apresenta o caminhar de Gabriela Leite em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, a militância, a organização do movimento de prostitutas, bem como as dores, amores, dificuldades e superações enfrentadas no exercício da prostituição e na vida familiar. Ela destaca que a prostituição não é uma profissão fácil e que a paixão é um elemento fundamental para suportar as contradições e os chamados ossos do ofício. Em que profissão podemos dizer que seja diferente?

 

 

 

 

Clipe PROSTITUTA – Nega Gizza

Capa do álbum Na humildade - 2002

Giselle Gomes Souza nasceu em Brás de Pina, subúrbio do Rio de Janeiro. Filha de empregada doméstica, Nega Gizza trabalhou desde cedo junto com seus irmãos vendendo refrigerante nas ruas do Rio de Janeiro.

Detentora de muito talento, voz firme e um discurso que retrata a realidade social vivenciada nas periferias do Brasil, Nega Gizza destacou-se no cenário do rap, firmando-se nesse meio onde predominam vozes masculinas. Junto com MV Bill e Celso Athayde, Nega Gizza fundou a CUFA (Central Única das Favelas), uma ONG que se expressa, predominantemente, por meio do hip-hop e busca promover a produção cultural das favelas brasileiras fazendo uso de atividades nos campos da educação, esportes, cultura e cidadania.

Em 2001, Gizza venceu na categoria “Melhor Demo Feminino” o Hutúz – o mais importante prêmio de rap da América Latina. Em 2002, lança o CD “Na Humildade” com a participação do DJ Zé Gonzalez, DJ Luciano, Dudu Marote, MV Bill, Gustavo Nogueira e Daniel Ganja Man. No mesmo ano, lançou seu primeiro videoclipe “Prostituta”, o qual foi dirigido por Kátia Lund e Líbero Saporetti.

O clipe “Prostituta” denuncia a realidade da prostituição no Brasil: o preconceito que recai sobre as putas, as contradições presentes nessa prática, a perseguição policial e as estratégias empregadas por essas mulheres para minimizar o estigma. Gizza faz uso de uma metáfora do universo futebolístico, mostrando que apesar da violência e opressão a que está submetida a figura da prostituta, esta não configura-se como vítima mas sim como atacante. No jargão futebolístico, atacante é aquele que vai pra cima, que sai pro jogo e encara o adversário de frente.

“Sou puta sim, vou vivendo do meu jeito

prostituta atacante vou driblando o preconceito”

(Nega Gizza).

Começa hoje o Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual

Começa nesta quinta a 18ª edição do Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual. Conhecido por apresentar filmes que abordam a diversidade sexual e temática LGBT, neste ano o festival será realizado de 11 a 18 de novembro, em São Paulo, com destaque para a produção da América do Sul.

 

A abertura será no Cinesesc Augusta com a exibição do longa-metragem peruano Contracorriente e contará com a participação do diretor Javier Fuentes-Leon. Esse filme foi premiado no Sundance Film Festival e Miami Film Festival em 2010.

 

O Mix Brasil apresentará mais de uma centena de filmes (34 longas e 71 curtas) que serão exibidos em diversas salas da cidade de São Paulo, incluindo curtas-metragens caseiros submetidos ao júri popular comandado pela atriz Marisa Orth na 11ª edição do Show do Gongo.

No ano em que celebra sua maioridade, o festival também apresentará uma seleção especial do PornFilmFest de Berlim com produções que exploram a sexualidade de forma mais explícita. Segundo os diretores do evento André Fischer e João Federici “O Mix Brasil sempre teve a missão de desafiar tabus e subverter o mito de que cinema gay seria sinônimo de cinema pornô e por isso cenas do nosso cotidiano deveriam ser proibidas para menores. Ao festejar a maioridade nos damos ao luxo de apresentar uma seleção especial do PornFilmFest de Berlim, sem medo de que confundam alhos com bugalhos.”

A programação completa, o endereço das salas de exibição e mais detalhes sobre o festival podem ser acessados no site http://www.mixbrasil.org.br/.

Longa Contracorrente - Javier Fuentes-Leon