Seminário Fazendo Gênero 10 debaterá os desafios atuais do Feminismo

 

O Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 realizar-se-á em Florianópolis, Santa Catarina, entre 16 a 20 de setembro de 2013.  O evento é promovido pela UFSC em parceria com a  UDESC e dará continuidade à série Fazendo Gênero, incluindo, em sua programação, conferências e mesas redondas com especialistas de reconhecimento nacional e internacional, além de simpósios temáticos, reuniões de representantes de Associações, etc.

O Fazendo Gênero 10 visa favorecer a articulação dos estudos de gênero com abordagens que envolvem outras categorias de análise como classe, raça, etnia, e gerações; criar espaços de troca de experiências e diálogo entre investigador@s acadêmic@s e pessoas ligadas a outras entidades e aos movimentos sociais; incentivar a participação de estudantes de graduação e de pós-graduação nas discussões travadas no campo dos estudos feministas e de gênero, possibilitando uma formação mais qualificada na área, e produzir conhecimentos que possam resultar em material bibliográfico a ser publicado em livros e periódicos sobre o tema.

A concepção geral do evento parte de considerar que, apesar dos avanços obtidos por meio das inúmeras lutas travadas pelas mulheres, muitos obstáculos persistem, alguns se re-configuraram, outros emergiram, exigindo por isso mesmo o debate em torno dos Desafios Atuais do Feminismo. A Comissão Organizadora do Fazendo Gênero 10 começará a divulgar as regras de inscrição a partir de 15 de agosto de 2012, quando o site do evento deverá estar funcionando, dando início às inscrições para propor Simpósios Temáticos. Mais informações disponíveis em: <http://www.fazendogenero.ufsc.br>

Elena Reynaga fala sobre repercussões de medidas adotadas em Córdoba

Fonte: AMMAR

A assessora e fundadora da AMMAR (Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina) cedeu entrevista a TV Pública e falou sobre como os procedimentos adotados com intenção anunciada de combater o tráfico de pessoas têm prejudicado e potencializado a clandestinidade às mulheres trabalhadoras sexuais. Segue abaixo, vídeo disponibilizado no site da AMMAR  <www.ammar.org.ar>

AMMAR divulga comunicado sobre medida “antitráfico” de Córdoba

Apresento uma tradução própria de um comunicado emitido pela AMMAR (Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina) frente à medida adotada pelo Governo de Córdoba com intenção anunciada de combater o tráfico de seres humanos. Todavia, mais uma vez podemos observar que nas entrelinhas da intenção anunciada se oculta uma estratégia que reforça a invisibilidade social que recai sobre as pessoas que exercem trabalho sexual.

Comunicado de AMMAR frente à medida antitráfico adotada pelo Governo de Córdoba

Buenos Aires, 24 de julho de 2012 – Diante da nova medida adotada pelo Governo de Córdoba de oferecer passagens gratuitas às trabalhadoras sexuais para que voltem a seu lugar de origem, a AMMAR rechaça tal iniciativa e denuncia que, mais uma vez, querem invisibilizar as pessoas que prestam serviços sexuais. Longe de nos perceber como mulheres adultas e com poder de decisão,  nos tratam como seres incapazes; em vez de aceitar que somos pessoas trabalhadoras, que somos uma realidade.

Nós da AMMAR dizemos BASTA a essa tendência de querer nos ignorar! Por mais que nos escondam, por mais que nos releguem a espaços determinados, ainda quando pretendem nos dar viagem gratuitas a qualquer destino para que outros se ocupem de nós, vamos seguir existindo, vamos continuar saindo em busca de pão para nossas famílias, vamos seguir TRABALHANDO, e vamos continuar reclamando por nossos direitos.

Mais uma vez demonstram a ausência de compromisso para respeitar os direitos das trabalhadoras sexuais. Em vez de enfrentar a realidade, pretendem maquiá-la, ocultá-la e até mesmo varrê-la às províncias irmãs. AMMAR reclama uma vez mais pelo reconhecimento de direitos para as pessoas maiores de idade que por vontade própria exercem trabalho sexual.

A luta contra o tráfico de pessoas e exploração do trabalho sexual demanda necessariamente o empoderamento de quem exerce o trabalho sexual, por meio do reconhecimento de direitos como trabalhador@s. É necessário gerar um entorno seguro para quem trabalha nesta atividade para que seja possível gozar de mínimas garantias que permitam que a denúncia seja feita sem que se coloque em risco a própria vida.

TRABALHO SEXUAL NÃO É IGUAL A TRÁFICO DE PESSOAS!!!


NECESSITAMOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS TRABALHADORAS SEXUAIS AUTÔNOMAS!!!  

Canadá: diferentes olhares sobre as mulheres

Por: Domila  do Prado Pazzini

__________________________

Ontem (17/07/2012), saiu a seguinte reportagem no jornal Folha de São Paulo: “Canadá decide banir strippers estrangeiras a partir de agosto”. Essa decisão foi anunciada pelo ministro da Imigração do país, Jason Kenney, que afirmou não renovar os vistos para estrangeiras que vão ao país com essa finalidade, isso porque, segundo ele, o governo do país “não pode, em sã consciência, admitir trabalhadores temporários estrangeiros em um setor sob suspeita de oferecer sérios riscos de exploração sexual”. A intenção dessa atitude, segundo o ministro, é combater o tráfico humano e a exploração sexual de mulheres.

Quadrinista Chester Brow

Ou seja, mais uma vez as mulheres foram vitimizadas, e sem consultarem suas vontades acabam decidindo por elas que as mesmas estão sendo exploradas porque, com certeza, pensam que elas seriam incapazes de perceber isso sozinha. Mas, em contrapartida dessa fala do ministro do Canadá, Kenney, hoje (18/07/2012), no mesmo jornal, sai a seguinte reportagem: “Uma temporada no inferninho”. Que trata do gibi “Pagando por sexo” do canadense Chester Brown, em que retrata a sua vida e os programas que ele realiza com prostitutas. E ao contrário da reportagem de ontem, a prostituta não aparece como vítima que está sendo explorada, e é possível perceber no relato de uma personagem da HQ que fala sobre ser acompanhante: “Pelo dinheiro que ganho, é bom. Só dois por cento dos clientes são ruins… o resto é legal”. Depois de ter contato com as prostitutas, o quadrinista tornou-se militante da descriminalização da prostituição.

Quadrinista retrata decisão de se relacionar com prostitutas na HQ Pagando por Sexo

O livro “Pagando por sexo” de Chester Brown foi lançado em 2011 e editado no Brasil este ano pela WMF Martins Fontes. O quadrinista diz, em matéria cedida ao jornal Folha de São Paulo (18.07.12), que pagar por sexo foi a opção que encontrou ao se ver tentando, no final dos anos 1990,  entre duas forças: o desejo de fazer sexo frequentemente e a repulsa à ideia de estabelecer um relacionamento romântico.  Relacionar-se com prostitutas foi a maneira que o quadrinista encontrou de evitar o desconforto que sentia ao envolver-se numa “monogamia possessiva” – expressão utilizada para designar os tradicionais relacionamentos românticos.

 

A história dessa escolha é retratada na HQ Pagando por Sexo que apresenta os encontros do quadrinista com 23 prostitutas. Chester Brown aborda a intimidade com suas parceiras, os códigos que regem a relação com a clientela, os motivos que mantém as mulheres nessa profissão (os quais não se reduzem a sacrifício ou falta de opção), etc. Essa visão apurada dos contextos prostitucionais não é fruto apenas da vivência enquanto cliente, mas também das experiências como militante da descriminalização da prostituição no Canadá. Brown é membro do Partido Libertário do Canadá, que segundo o autor é o único partido a favor da descriminalização. Para alimentar essa discussão, o gibi traz uma sugestão de bibliografia sobre essa questão.

Músicas e Prostitutas – BABILINA

Mesmo tendo passado o  mês de junho continuamos a série “Músicas e Prostitutas”. Dessa vez, para homenagear o 13 de julho: dia do rock, apresentamos a canção Babilina do álbum Raul Seixas – Estúdio Eldorado de 1983. Diferentemente do que é exposto na canção de Lupicínio Rodrigues, na qual se sabe que a amada tem “o destino da lua” e nasce para todos na rua, o velho Raulzito almeja a exclusividade do amor de Babilina, uma garota que trabalha num bordel. Nos versos “você me garante que não sente nada não/e que só comigo você tem satisfação”, Raul Seixas traz à tona a polêmica questão:  a prostituta sente ou não prazer com os clientes? Esse me parece ser um assunto polêmico, pois ao longo de conversas com mulheres que prestam serviços sexuais em casas noturnas de São Carlos/SP já me deparei com mulheres que afirmaram: a) que não sentem prazer porque estabelecem uma relação estritamente comercial com a clientela; b) que não é possível evitar e, às vezes, mesmo sem buscar elas sentem prazer com algum cliente; c) que se permitem e sentem sim prazer na relação com a clientela.

BABILINA

Babilina, Babilina

Saia do bordel

Babilina, Babilina

Saia desse bordel, minha filha

Quero exclusividade do seu amor

Cútis, cubidu-bilina

Por favor!!!

 

Eu tava seco há muito tempo

Quando eu lhe conheci

Provei do seu chamego

Nunca mais lhe esqueci…

À noite cê trabalha

Diz que é pra me sustentar

Passa o dia exausta

Que nem pode me olhar

É dentro de casa que eu te quero meu amor!

Larda desse emprego, baby

Por favor!

 

Babilina, Babilina

Saia do bordel

Babilina, Babilina

Saia desse bordel, minha filha

Quero exclusividade do seu amor

Cútis, cubidu-bilina

Por favor!!!

 

Quando cê chega com a bolsa

Entupida de tutu

Eu imagino quanta gente

Se deu bem no meu baú

Você me garante que não sente nada não

E que só comigo você tem satisfação

Mas é dentro de casa que eu te quero meu amor!

Larga desse emprego, baby

Por favor!

 

Babilina, Babilina

Saia desse bordel, minha filha

RBA teve Grupo de Trabalho sobre prostituição

De 2 a 5 de julho, foi realizada a 28ª Reunião Brasileira de Antropologia: Desafios Antropológicos Contemporâneos na PUC/SP.  Domila do Prado Pazzini (integrante do GETS e do  NaMargem/UFSCar) participou do evento com a apresentação de pôster intitulado “Prostituição e criminalização: o Código Penal como agente de transformação nas práticas e condutas”. A temática da prostituição foi debatida no grupo de trabalho “GT01 – A prostituição e seus interstícios contextos e categorizações nas trocas econômico-sexuais” coordenado por Soraya Silveira Simões (UFRJ), Hélio R. S. Silva (UFSC), Aparecida F. Moraes (UFRJ) e José Miguel Nieto Olivar (UNICAMP). Além dos organizadores, o GT contou com a participação de diferentes pesquisadoras e pesquisadores que estudam essa temática, tais como Veronica Munk (TAMPEP-Germany), Leticia da Luz Tedesco (UFRGS), Susana Rostagnol (UdelaR), Andreia Skackauskas (UNICAMP), Ana Paula Luna Sales (EHESS), Francisca Ilnar de Sousa (CETREDE/UFC), Érika Bezerra de Meneses Pinho (UFC), Cristian Paiva (UFC), etc.

 

Mais informações disponíveis em: http://www.28rba.abant.org.br/

Entradas Mais Antigas Anteriores