UFSCar outorga título de Professora Emérita a Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva

Nesta sexta-feira (19/10), o Conselho Universitário da UFSCar outorgará o título de Professora Emérita a Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, docente da Universidade desde 1989 e Professora Titular do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas (DTPP). A concessão do título foi aprovada pelo ConsUni em dezembro de 2011, a partir de proposição do DTPP, considerando o percurso da homenageada como professora e pesquisadora e, também, sua atuação política. A Sessão Solene de outorga do título acontecerá às 16h30, no Anfiteatro da Reitoria, e é aberta ao público.

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva recebe título de Professora Emérita

Ao longo de sua trajetória acadêmica, Petronilha B. Gonçalves e Silva formou gerações de profissionais, professores e pesquisadores, em atuação sempre articulada à produção de conhecimento na temática da Educação e Relações Étnico-raciais e à extensão. Fundou, em 1991, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UFSCar. Participou, de 2007 a 2011, da proposição e gestão do Programa de Ações Afirmativas da Universidade. Além da relevância de suas contribuições à Universidade, o trabalho da professora Petronilha já foi reconhecido em diversas outras instâncias e fóruns nacionais e internacionais, como na sua indicação para ser conselheira da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (mandato 2002-2006), cargo no qual foi relatora do Parecer CNE/CP 3/2004, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, e participou da relatoria do Parecer CNE/CP 3/2005, relativo às Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia.

Dentre outras premiações, foi admitida pela Presidenta Dilma Roussef, em março de 2011, na Ordem Nacional do Mérito, por sua contribuição à educação no Brasil, e na mesma ocasião recebeu o prêmio Educação para a Igualdade, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Texto extraído do site: http://www2.ufscar.br/servicos/noticias.php?idNot=5085

Uruguai aprova despenalização do aborto e discute legalização da maconha

Mulheres nuas realizam manifestação na frente do Parlamento uruguaio.  (Foto: Matilde Campodonico)

O Congresso uruguaio aprovou nesta quarta-feira (17.10.12) a despenalização do aborto durante as 12 primeiras semanas de gestação.  A medida aprovada no mês passado na Câmara passou no Senado por 17 votos favoráveis e 14 votos contra.  Ela foi apoiada pelos 16 parlamentares da governista Frente Ampla e pelo senador Jorge Saravia, atualmente no Partido Nacional de oposição.

 O atual presidente José Mujica – ex-guerrilheiro tupamaro que está no poder desde 2009 – anunciou que promulgará a lei, diferentemente do então presidente Tabaré Vázquez que em 2008 vetou uma iniciativa semelhante aprovada no Congresso.  Para Mujica, a despenalização permitirá “salvar mais vidas”, ao restringir a prática de abortos clandestinos. A nova lei permite a interrupção da gravidez, desde que a mulher se consulte com um grupo de profissionais da saúde e reflita durante cinco dias sobre sua decisão.

 O Uruguai é o terceiro país da América Latina a aprovar o aborto, depois de Cuba e Guiana. A Cidade do México também permite a prática. Em outros países latino-americanos, o aborto é permitido apenas em casos que envolvem risco de vida para a mãe,  má-formação fetal ou gravidez resultante de um estupro.

 O presidente Mujica, além de defender a despenalização do aborto, foi o impulsor do projeto que quer criar no Uruguai um monopólio estatal de produção e venda de maconha. Considerando que o problema que preocupa o governo não é o uso em si da maconha, mas sim o narcotráfico, Mujica argumenta que essa medida permitiria que os consumidores da cannabis deixassem de lidar com traficantes e de receber ofertas de drogas mais pesadas, o que reduziria a criminalidade e a violência relacionada ao tráfico.

Essa proposta rendeu ao esquerdista Mujica improváveis elogios vindo de liberais como o escritor peruano Mario Vargas Llosa, alinhado à direita. “Quem teria imaginado que, sob um governo da Frente Ampla (…) (o Uruguai) é novamente um modelo de legalidade, liberdade, progresso e criatividade, um exemplo que os demais países latino-americanos deveriam seguir”, escreveu Vargas Llosa no jornal espanhol El País.

Ao discutir e problematizar esses dois controversos temas, o Uurguai confirma, assim, sua tradição liberal cultivada desde o início do século 20:  o país de Estado laico, desde 1917, foi pioneiro ao permitir o divórcio de iniciativa da mulher (em 1913) e o voto feminino (decidido em plebiscito em 1927).

O buraco é mais embaixo: tráfico de pessoas não é sinônimo de prostituição

Recentemente observei que vem sendo veiculadas na internet  notícias sobre a próxima novela da Globo dirigida por Glória Perez, na qual a atriz Carolina Dieckman interpretará a personagem Jéssica, supostamente uma prostituta. Digo supostamente, pois segundo informações divulgadas na página da Marie Claire a personagem interpretada por Dieckman vai parar na Espanha acreditando ter conquistado um emprego de balconista. Mas ao chegar lá, Jéssica terá de se prostituir e revelará ao público como funciona o sistema do tráfico internacional de mulheres.

Em entrevista cedida à Marie Claire, ao ser indagada sobre como é ficar tão próxima do universo do tráfico de mulheres, a atriz respondeu: Eu estou superemocionada, eu chorei muito nas primeiras gravações, fora de cena. As pessoas não têm ideia, existe muita gente que é enganada, que sabe que vai trabalhar como prostituta, mas não tem noção que vai morar num cativeiro e que será obrigada a transar com 20 caras num dia, por exemplo. O buraco é mais embaixo.”

Diante do exposto, considero que a atriz não interpretará uma prostituta, pois sua personagem Jéssica não foi à Espanha para prestar serviços sexuais voluntariamente.  Ela foi enganada,  presa em cativeiro e obrigada a prestar serviços sexuais, nesse caso, houve coação e ela se converte em uma vítima do tráfico de pessoas, ela não é prostituta, mas sim uma escrava sexual.

Realmente o buraco é mais embaixo, e embora tráfico de pessoas não seja sinônimo de prostituição, não é raro encontrar discursos homogeneizantes, não só na internet mas em diferentes meios de comunicação,  que tendem a juntar tudo no mesmo balaio – prostituição, tráfico de mulheres, exploração infanto-juvenil, turismo sexual. Isso não é feito por acaso, mas com intenção de retratar a prestação voluntária de serviços sexuais como atividade que fere a dignidade das mulheres e viola os seus direitos.

Mas poucos discursos denunciam que, infelizmente, os direitos das mulheres são violados em distintas ocupações e não só no exercício da prostituição. Poucos levam em consideração que a violação aos direitos das mulheres prostitutas decorre principalmente do estigma e  hipocrisia de nossa sociedade, que por um lado tolera essa prática porque demanda serviços sexuais e por outro condena quem presta tais serviços. Não é preciso interpretar (ou ser) uma prostituta para perceber (e sentir) que nós mulheres, historicamente, fomos – e ainda somos – tratadas como objeto e isso não ocorre exclusivamente com a prostituta. A convivência e o diálogo com prostitutas têm me ensinado que não basta fazer essa constatação e continuar aderindo a essa condição, pois a transformação da realidade depende da humildade para que possamos nos unir e nos assumir como sujeitos capazes de criar e recriar a nossa história.

8 de outubro – Dia do Nordestino

Viva a região Nordeste e seus nove estados – Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Ontem, 08 de outubro, foi comemorado o dia do nordestino, uma maneira de divulgar e valorizar a cultura desse povo forte, criativo e acolhedor!  

E para comemorar essa data e afirmar com orgulho meu pertencimento a esse povo, apresento algumas estrofes da poesia “Nordestino sim, nordestinado não”  de autoria do poeta cearense Patativa do Assaré. Nela, o poeta afirma que o nordestino não deve aceitar que é fadado ao sofrimento, pois o seu padecimento não é natural ou fruto de atribuição divina, mas sim resultado de opressão, injustiças, desigualdades econômicas, políticas e sociais, por isso é preciso engajar-se na luta por seus direitos e sua libertação. O nordestino é aquele que nega uma visão fatalista da história e atua como sujeito de sua prática, já o termo ‘nordestinado’ é atribuído àquele que apenas se adapta a situação vigente sem conseguir vislumbrar sua libertação.

NORDESTINO SIM, NORDESTINADO NÃO   (PATATIVA DO ASSARÉ)

Nunca diga nordestino
Que Deus lhe deu um destino
Causador do padecer
Nunca diga que é o pecado
Que lhe deixa fracassado
Sem condições de viver

Não guarde no pensamento
Que estamos no sofrimento
É pagando o que devemos
A Providência Divina
Não nos deu a triste sina
De sofrer o que sofremos

Deus o autor da criação
Nos dotou com a razão
Bem livres de preconceitos
Mas os ingratos da terra
Com opressão e com guerra
Negam os nossos direitos

(…)

Já sabemos muito bem
De onde nasce e de onde vem
A raiz do grande mal
Vem da situação crítica
Desigualdade política
Econômica e social

(…)

Uma vez que o conformismo
Faz crescer o egoísmo
E a injustiça aumentar
Em favor do bem comum
É dever de cada um
Pelos direitos lutar

Por isso vamos lutar
Nós vamos reivindicar
O direito e a liberdade
Procurando em cada irmão
Justiça, paz e união
Amor e fraternidade

Somente o amor é capaz
E dentro de um país faz
Um só povo bem unido
Um povo que gozará
Porque assim já não há
Opressor nem oprimido

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* A imagem acima foi retirada da fanpage Nação Nordestina que promove a valorização da cultura nordestina. Essa página proporciona uma viagem pela cultura dessa região, foi criada em dezembro de 2011 a partir da ideia de um cearense do município de Alto Santo – Bráulio Bessa Uchoa – e conta hoje com 400.955 seguidores.

 

 

Filme ‘A Educação Proibida’ foi exibido no CineUFSCar

Como parte das atividades da Semana da América Latina, o filme Educação Proibida foi exibido no dia 03 de outubro no CineUFSCar, no teatro Florestan Fernandes.

O filme suscita reflexão sobre a  forma como sistemas tradicionais de ensino estão organizados e como alunos e professores se percebem nesses sistemas. São apresentadas experiências de ensino,  em diversos países da América Latina, que tem como objetivo promover uma educação dialógica e problematizadora, na qual o educando é percebido como protagonista de seus processos educativos.  O filme foi financiado coletivamente graças a centenas de co-produtores e tem licenças livres que permitem e incentivam sua cópia e reprodução (mais informações disponíveis em http://www.educacionprohibida.com)

 Após a exibição do filme, foi realizada uma conversa sobre educação entre Fabiana Rodrigues de Sousa (GETS/UFSCar), Alexandra Lima Gonçalves Pinto (DAC/UFSCar) e demais pessoas que estavam presentes e assistiram ao filme.

Chega de impunidade: 20 anos após o massacre do Carandiru

Ontem, 02.10.12, completou 20 anos do massacre do Carandiru. Caso que gerou repercussão internacional e resultou na morte de 111 presos, após a Polícia Militar entrar no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, na zona norte de São Paulo,  sob o pretexto de pôr fim a uma rebelião dos detentos.

(Foto: Ernesto Rodrigues)

Parentes das vítimas do massacre realizaram, ontem,  na Sé (centro de São Paulo), um ato ecumênico em memória das vítimas e reivindicando o fim da impunidade.  É vergonhoso perceber que mesmo após 20 anos, os responsáveis pelo massacre continuam livres e ainda não foram julgados. A 2ª Vara do Júri marcou para o dia 28 de janeiro de 2013 o julgamento de parte dos réus acusados de participar do massacre. Todavia,  somente a tropa comandada pelo capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos (que atuou no 2º pavimento, liderando 26 homens) irá a júri. Eles são acusados de matar 15 pessoas.  E quem responderá pela morte dos demais 96 detentos assassinados?

Outro exemplo da impunidade pode ser percebido pelo julgamento do coronel Ubiratan Guimarães. Em 2001, ele foi julgado e condenado a 632 anos de prisão por comandar a ação no Carandiru.  Mas apesar disso, em fevereiro de 2006, o Tribunal de Justiça de São Paulo reinterpretou a decisão do 2.º Tribunal do Júri e decidiu absolver o coronel.

Tão vergonhoso quanto essa impunidade, são os comentários como “bandido bom é bandido morto”, frequentemente, veiculados em diferentes redes sociais por pessoas que  tentam negar a existência e a dor dos familiares das vítimas desse massacre. Esses comentários preconceituosos tendem a invisibilizar a manifestação de resistência organizada pelos familiares e desviam a atenção do que, realmente, deveria ser discutido: a falência do sistema prisional brasileiro. Pois não podemos esquecer que há 20 anos atrás, já existiam as rebeliões e as penitenciárias lotadas, mas poucos se questionam sobre como essa instituição poderá cumprir sua função de reabilitar o detento para o convívio social.

Sem questionamentos e reproduzindo frases prontas, continuaremos alimentando a violência, a desigualdade social e a desunião: de um lado os ditos “inocentes” e de outro os ditos “bandidos”.  Enquanto uns ficam com medo, outros “metem o lôco”!  Continuaremos sem saber o que gera o banditismo? Também há cerca de 20 anos, Chico Science, já nos dava pistas para essa indagação na letra de sua canção:

“E quem era inocente hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Banditismo por pura maldade
Banditismo por necessidade
Banditismo por uma questão de classe!
Banditismo por uma questão de classe!

UFSCar realiza Semana da América Latina – 1 a 5 outubro/2012

De  1º a 5 de outubro, ocorre na UFSCar (campus São Carlos), a Semana da América Latina 2012. O evento é promovido pela  Coordenadoria de Cultura (CCult/UFSCar) e as atividades são abertas a toda a comunidade e têm como objetivo proporcionar a reflexão acerca de questões relacionadas à educação, arte, psicologia, música, identidades, cultura e política de uma perspectiva latino-americana.

A programação teve início, hoje, com oficina de dança e apresentação musical de samba rock com a banda Segura Nêga (na área de convivência do DCE).  Amanhã (dia 2/10), será realizada a oficina “A América Latina e a Dança Circular Sagrada”, no edifício do Núcleo de Formação de Professores, às 17h30.

No dia 3/10, o CineUFSCar, localizado no Teatro Universitário Florestan Fernandes, exibirá o filme “La Educación Prohibida”. O documentário se propõe questionar as lógicas da escolarização moderna e a forma de entender a educação, dando visibilidade para experiências educativas diferentes, não convencionais, que cultivam a necessidade de um novo paradigma educativo.

No dia 4/10, acontece a apresentação da banda Big Band Blues, às 20h30, no Teatro de Bolso. Para finalizar a Semana, a 3ª Mostra de Vídeo Popular será realizada em três exibições: às 9h30 e 14h30, no Centro da Juventude Elaine Viviane (em São Carlos) e, às 19h30, no Cine São Roque em Água Vermelha. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail cultural@ufscar.br, no site da CCult ou na página da Semana no Facebook.