Músicas e Prostitutas – BABILINA

Mesmo tendo passado o  mês de junho continuamos a série “Músicas e Prostitutas”. Dessa vez, para homenagear o 13 de julho: dia do rock, apresentamos a canção Babilina do álbum Raul Seixas – Estúdio Eldorado de 1983. Diferentemente do que é exposto na canção de Lupicínio Rodrigues, na qual se sabe que a amada tem “o destino da lua” e nasce para todos na rua, o velho Raulzito almeja a exclusividade do amor de Babilina, uma garota que trabalha num bordel. Nos versos “você me garante que não sente nada não/e que só comigo você tem satisfação”, Raul Seixas traz à tona a polêmica questão:  a prostituta sente ou não prazer com os clientes? Esse me parece ser um assunto polêmico, pois ao longo de conversas com mulheres que prestam serviços sexuais em casas noturnas de São Carlos/SP já me deparei com mulheres que afirmaram: a) que não sentem prazer porque estabelecem uma relação estritamente comercial com a clientela; b) que não é possível evitar e, às vezes, mesmo sem buscar elas sentem prazer com algum cliente; c) que se permitem e sentem sim prazer na relação com a clientela.

BABILINA

Babilina, Babilina

Saia do bordel

Babilina, Babilina

Saia desse bordel, minha filha

Quero exclusividade do seu amor

Cútis, cubidu-bilina

Por favor!!!

 

Eu tava seco há muito tempo

Quando eu lhe conheci

Provei do seu chamego

Nunca mais lhe esqueci…

À noite cê trabalha

Diz que é pra me sustentar

Passa o dia exausta

Que nem pode me olhar

É dentro de casa que eu te quero meu amor!

Larda desse emprego, baby

Por favor!

 

Babilina, Babilina

Saia do bordel

Babilina, Babilina

Saia desse bordel, minha filha

Quero exclusividade do seu amor

Cútis, cubidu-bilina

Por favor!!!

 

Quando cê chega com a bolsa

Entupida de tutu

Eu imagino quanta gente

Se deu bem no meu baú

Você me garante que não sente nada não

E que só comigo você tem satisfação

Mas é dentro de casa que eu te quero meu amor!

Larga desse emprego, baby

Por favor!

 

Babilina, Babilina

Saia desse bordel, minha filha

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Músicas e Prostitutas – QUEM HÁ DE DIZER

Ai vai mais uma da série “músicas e prostitutas”: o samba-canção Quem há de dizer,  de 1948, de autoria de Lupicínio Rodrigues (que escreveu a letra) e Alcides Gonçalves (que musicou a canção).  Alcides era pianista de casas noturnas em Porto Alegre/RS e, enquanto tocava na boate Marabá, observava o assédio dos clientes a sua namorada que trabalhava na casa.  Segue abaixo, letra da música e um vídeo, no qual a canção é interpretada por Arrigo Barnabé.

Fonte: <www.paixaoeromance.com.br>

QUEM HÁ DE DIZER

Quem há de dizer
que quem você esta vendo
Naquela mesa bebendo
É o meu querido amor
Repare bem que toda vez
que ela fala
ilumina mais a sala
Do que a luz do refletor
O cabaré se inflama
Quando ela dança
E com a mesma esperança
Todos lhe põe o olhar
E eu, o dono,
Aqui no meu abandono
Espero louco de sono
O cabaré terminar

Rapaz! Leva esta mulher contigo
Disse uma vez um amigo
Quando nos viu conversar
Vocês se amam
E o amor deve ser sagrado
O resto deixa de lado
Vai construir o teu lar
Palavra! Quase aceitei o conselho
O mundo, este grande espelho
Que me fez pensar assim
Ela nasceu com o destino da lua
Pra todos que andam na rua
Não vai viver só pra mim

Músicas e Prostitutas – GENI E O ZEPELIM

Aí vai a segunda canção dessa série “músicas e prostitutas”, aproveitando o aniversário do Chico Buarque apresentamos a clássica Geni e o Zepelim. Esta canção faz parte do álbum “Ópera do Malandro” de 1979.

GENI E O ZEPELIM

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,
Dos cegos, dos retirantes;
É de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina,
Atrás do tanque, no mato.
É a rainha dos detentos,
Das loucas, dos lazarentos,
Dos moleques do internato.
E também vai amiúde
Co’os os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir.
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir:

“Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!”

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante,
Um enorme zepelim.
Pairou sobre os edifícios,
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim.
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia,
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: “Mudei de idéia!
Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniqüidade,
Resolvi tudo explodir,
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir”.

Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar;
Ela é boa de cuspir;
Ela dá pra qualquer um;
Maldita Geni!

Mas de fato, logo ela,
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro.
O guerreiro tão vistoso,
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro.
Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela),
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre,
Tão cheirando a brilho e a cobre,
Preferia amar com os bichos.
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão:
O prefeito de joelhos,
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão.

Vai com ele, vai Geni!
Vai com ele, vai Geni!
Você pode nos salvar!
Você vai nos redimir!
Você dá pra qualquer um!
Bendita Geni!

Foram tantos os pedidos,
Tão sinceros, tão sentidos,
Que ela dominou seu asco.
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco.
Ele fez tanta sujeira,
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado.
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir,
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir:

“Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

Músicas e Prostitutas – MAL NECESSÁRIO

Em homenagem às prostitutas, durante o mês de junho publicarei alguns posts sobre canções que fazem alusão à essas mulheres e à prática da prostituição. Ao contrário de algumas abordagens teóricas que insistem em retratar essa ocupação de forma homogênea, as canções brasileiras se constituem como uma linguagem eficaz no sentido de descortinar a prostituição como prática plural e multifacetada.

A canção “Mal necessário” (composição de Mauro Kwitko e interpretação de Ney Matogrosso) dará início a esta série.  O compositor Mauro Kwitko fez a música após uma visita ao Ney, em 1978. E sobre o processo de criação ele diz:  “Quando cheguei em casa, sentei no chão da sala e, depois de um tempo em que estive fora de mim, a letra estava escrita e a melodia pronta. Acordei, peguei o violão, e cantei a letra. Telefonei para ele (referindo-se a Ney Matogrosso), que me pediu para retornar a sua casa. Cantei a música, ele pegou um gravador cassete, gravou, não tinha nome. Pedi a ele que desse o nome, pois a música era para ele. Chamou de “Mal Necessário” e foi o sucesso que ainda é passados 32 anos!” .      Ao  ser   questionado   sobre o que a letra diz,   Kwitko   afirma:     “Nem eu sei bem… Ela é um Mantra e um Mantra não pode ser entendido racionalmente, não se explica um Mantra, se sente”.  (Fonte: maurokwitkomiscelaneas.wordpress.com).

Inicio essa série com esta canção, pois sinto que ela tem diversas relações com o cotidiano vivenciado por pessoas que exercem prostituição. O próprio título já faz uma alusão a essa atividade, uma vez que a prostituição mesmo sendo reconhecida como ocupação desde 2002, ainda hoje é percebida como “mal necessário” por muitos grupos sociais. Todavia a canção evita análises binárias (bem x mal) e felizmente assume as distintas conotações “sou o certo/sou o errado”.  Durante convivência com prostitutas de casas noturnas de São Carlos pude perceber que essa prática pode ser ressignificada de diversas maneiras pelas mulheres que dela se ocupam apresentando-se como espaço de possibilidade de vivenciar o amor, a amizade, a solidariedade, a diversão, o prazer, processos de escuta, etc, dessa forma o estar na noite não ganha apenas a conotação de exploração/opressão/ exclusão, mas também pode ser entendido como “lugar no mundo”, isto é, como opção/transformação/ projeto. Abaixo, segue letra na íntegra da canção para que vocês possam senti-la e atribuir novas interpretações.

Mal Necessário

Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou a mesa e as cadeiras deste cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo
Sou a febre que lhe queima, mas você não deixa
Sou a sua voz que grita mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam
Nos bares, nas camas, nos lares, na lama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Oferece a outra face, mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na lama
Na lama, na cama, na cama.

Rua Augusta (Emicida/Casp)

As maquiagem forte esconde os hematoma na alma
Fumando calma ela observa os faróis que vem e vão
Viver em vão, os que vem e não te tem
São, se necessário, homem de bem, fujão
Que não aguentou ser solitário
A mesma grana que compra o sexo, mata o amor
Traz a felicidade, também chama o rancor
As madruga que testemunha, vermelho sangue na unha
Sem nome, várias alcunha
Dentro da bolça de punho
Garota propaganda da cidade fria em seus caminhos
Um milhão de seres, um milhão de seres sozinho
Sonha como se não vivesse
Vive se perguntando por que que não morre
Mistura lágrima e suor no corre
Conta dinheiro no banco do passageiro e só
Que vira leite pro filho e 15 gramas de pó
Foda-se se é erro, quem fez o certo foi Jesus
E cês agradeceram como? Pregando ele numa cruz

Refrão (2x).

Cortando as hora com um casaco de vison
No olho a cor tá combinando com o batom
Atenta nas buzina ela vai pelo som
Escrevendo sua história com neon

Piscando “Motel”, às vezes falha
Autodidata aprimora o estilo enquanto trabalha
E se flagra chorando em frente ao espelho
Bola mais um, acende, puxa, disfarça seu olho vermelho
Volta, seu novo amor tá de partida
Ele espera acabar a noite, ela espera acaba a vida
Cada cigarro leva um ano de sofrimento
Ela manda um maço e de novo tá pronta pro arrebento
Ri com os traveco no breu, com o fumo que a rua deu
Entra no carro se lembrando das amigas que morreu
Sampa, pra quem vem de fora é uma beleza
Mas a única coisa que todos têm aqui, é certeza
Seu pai só reclamava, enquanto trampava ela dormia
Isso não deixava a vida nos conforme, pra se redimir
Ela vaga todas as madruga, aí
Fazendo um din como pode enquanto ele dorme.

Refrão (2x).

A vizinhança, réu, com um mar de juiz, papel
Afago pra lá, infeliz, mais um trago, miss
Com sorte, passaporte, América do Norte, please
Europa, diz “ah, um sonho”, quis
Assassinada por um rato num motel barato
Agoniza na cama, drama, estatística, fato
Um nóia sujo, advogado, bêbado, confuso
Pai de família, pastor com a fé em desuso
Matilha de dois, onde homem grande é vilão
Cliente frio, produto sem coração
Corpo marcado, cicatriz de gado
Ao relento, vai pra coleção de sofrimento
Princesa dos esgoto sujo, seio novo sobre o bojo
Virgem em solo inimigo, nojo
Esperança triste, adubo do sonho da infância pura
Buscando em si se isso ainda existe

Refrão (2x).

Rapper paulistano Emicida

Emicida lança clipe e novos versos para canção Rua Augusta

O rapper paulistano Emicida lançou, em 16 de março, videoclipe para faixa Rua Augusta e novos versos para a canção. A faixa faz parte de sua mixtape Emicídio lançada em 2010 e aborda a temática da prostituição feminina. Sobre a canção o Emicida diz:  “Sempre discordei da forma como o rap profere a palavra “puta” – fui criado por uma família de mulheres, os homens morreram todos, e não tive referências masculinas dentro de casa. Então este tema me parece muito mais interessante por esta perspectiva do que por qualquer outra.”

O videoclipe, dirigido por Felipe Rodrigues e Lucas Gandini, mostra a realidade das garotas que exercem prostituição como modo de inserção socioeconômica a fim de angariar recursos financeiros para sustento próprio e de seus filhos. O clipe tem como protagonista Rosana (mulher que presta serviços sexuais) e mostra cenas de seu cotidiano e a relação com seu filho.

“Me Llaman Calle” – Manu Chao

O músico franco-espanhol Manu Chao destaca a necessidade da construção de um mundo mais justo e aborda diferentes temas em suas canções (amor, liberdade, migração, prostituição, etc).

A canção “Me Llaman Calle” foi escrita para o filme “Princesas” (2005) de seu amigo Fernando León de Aranoa. A letra aborda a prostituição de rua e foi elaborada com base no nome Caye – prostituta protagonista do filme. A respeito da canção Manu Chao comenta:

“Foi uma música que saiu fácil, o nome da personagem desencadeou os versos automaticamente.” Com ela, ganhou o Prêmio Goya (o mais importante do cinema espanhol), mas não foi buscar a estatueta. Em seu lugar, mandou as moças cujas histórias o filme retrata. “Sou muito grato à experiência de gravar essa música. Passar algum tempo com as prostitutas me fez conhecer sua delicadeza e sua força para enfrentar tantas dificuldades.”

Com a turnê “La ventura”, o músico tem se apresentado no Brasil e nesta semana (9/fevereiro) se apresentará em São Paulo/SP. Vale a pena conferir! Para mais informações acessar:  http://www.manuchao.net

Me llaman calle, pisando baldosa
La revoltosa y tan perdida
Me llaman calle, calle de noche, calle de día
Me llaman calle, hoy tan cansada, hoy tan vacía
Como maquinita por la gran ciudad

Me llaman calle, me subo a tu coche
Me llaman calle de malegría, calle dolida
Calle cansada de tanto amar
Voy calle abajo, voy calle arriba
No me rebajo ni por la vida
Me llaman calle y ése es mi orgullo
Yo sé que un día llegará, yo sé que un día vendrá mi suerte
Un día me vendrá a buscar, a la salida un hombre bueno
Pa toa la vida y sin pagar, mi corazón no es de alquilar

Me llaman calle, me llaman calle
Calle sufrida, calle tristeza de tanto amar
Me llaman calle, calle más calle

Me llaman calle la sin futuro
Me llaman calle la sin salida
Me llaman calle, calle más calle
La que mujeres de la vida
Suben pa bajo, bajan para arriba
Como maquinita por la gran ciudad

Me llaman calle, me llaman calle
Calle sufrida, calle tristeza de tanto amar
Me llaman calle, calle más calle

Me llaman siempre, y a cualquier hora
Me llaman guapa siempre a deshora
Me llaman puta, también princesa
Me llaman calle, es mi nobleza
Me llaman calle, calle sufrida, calle perdida de tanto amar

Me llaman calle, me llaman calle
Calle sufrida, calle tristeza de tanto amar

A la Puri, a la Carmen, Carolina, Bibiana, Nereida, Magda,
Marga, Heidi, Marcela, Jenny, Tatiana, Rudy, Mónica, María, María

Me llaman calle, me llaman calle
Calle sufrida, calle tristeza de tanto amar
Me llaman calle, me llaman calle
Calle sufrida, calle tristeza de tanto amar
Me llaman calle, me llaman calle
Calle sufrida, calle tristeza de tanto amar
Me llaman calle, me llaman calle

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