2 DE JUNHO – Dia internacional da prostituta e de luta contra o preconceito

Puta Dei - Evento promovido pelo Gempac

Puta Dei – Evento promovido pelo Gempac

O dia 2 de junho é considerado o Dia Internacional da Prostituta porque, em 1975 nessa data, prostitutas ocuparam a igreja de Saint- Nizier em Lyon na França para denunciar a violência e os maus tratos a que eram submetidas. Essa manifestação serviu como inspiração para prostitutas de outros países tanto que anos mais tarde, em São Paulo, foi realizada uma passeata por prostitutas e travestis também com intenção de denunciar a discriminação e violência voltadas a pessoas que prestavam serviços sexuais na chamada Boca do Lixo – conhecida zona de prostituição da cidade.

Com a repercussão desses atos na mídia, prostitutas começaram a se organizar para denunciar a opressão e para reivindicar seus direitos. Hoje no Brasil, existe a Rede Brasileira de Prostitutas que é composta por associações da categoria localizadas nas diferentes regiões do país. Essas associações refutam o discurso vitimizador que tende a retratar a prostituta como “coitadinha” e afirmam sua condição de direito capaz de conduzir a própria vida e de fazer escolhas, dentre elas a de exercer a ocupação de prostituta.

Com objetivo de visibilizar suas demandas, as diferentes associações de prostitutas realizam distintas ações culturais ao longo do ano e, especialmente, nessa data. Destaca-se por exemplo:

  • Corrida da Calcinha – realizada pela Associação de Prostitutas da Paraíba (Aprospb), que leva as pessoas para a Rua da Areia – zona da cidade – no intuito de participar da corrida, de oficinas e outras atividades culturais que ocorrem durante o evento. A presidente da Associação – Luiza Maria Silva – diz: “Fazemos com que isso também se transforme em um ato político, trazendo a sociedade para a zona de prostituição e envolvendo as prostitutas, que são um público discriminado, em atividades festivas e de cidadania.”
  • o Puta Dei – realizado pela Associação de Prostitutas do Estado do Pará (Gempac) também é desenvolvido na zona da cidade no chamado “Quadrilátero do Amor” composto pelas Padre Prudêncio, 1º de Março, Riachuelo e General Gurjão. Conforme aponta Leila Barreto – secretária do Gempac – referindo-se à  edição passada do Puta Dei  “nossa programação quer instigar a reflexão, discutir a realidade e trazer para este universo algo lúdico, que é o que nos envolve no dia-a-dia mesmo”.  
  • o curso de idiomas e campanha saúde – promovido pela Associação de Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig) que visa a facilitar a comunicação entre prostitutas e clientes turistas que virão ao Brasil por ocasião da Copa das Confederações. Além disso, em Belo Horizonte, como fruto de uma parceria entre a Aprosmig e a Secretaria Municipal de Saúde também é realizada uma campanha de vacinação voltada a profissionais do sexo no início do mês de junho (neste ano ocorrerá entre os dias 3 e 7 de junho). Essa campanha tem como objetivos problematizar a importância da prevenção de DST/Aids e as dificuldades que esse grupo social enfrenta para acessar o Sistema Único de Saúde. 

Esses são apenas alguns exemplos das diversas atividades que vêm sendo promovidas pelas diferentes associações e grupos de prostitutas que, longe de aceitar a posição de vítima desprovida de agência, têm se organizado para denunciar e superar os mecanismos de opressão. Parabéns a essas mulheres por sua coragem e engajamento na transformação da realidade!

De Jesus - presidente da Aprosma

De Jesus – presidente da Aprosma

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