Lola Benvenutti exerce trabalho sexual porque gosta

Hoje é o dia d@s trabalhadores e aproveito a data para falar da prostituição como trabalho sexual, assunto que ganhou grande repercussão recentemente com a reportagem divulgada nos diferentes meios de comunicação sobre a garota de programa Lola Benvenutti.

Gabriela Natália da Silva  – ou Lola como é conhecida no exercício de sua ocupação –  é uma jovem de 21 anos, recém formada no curso de Letras na Universidade Federal de São Carlos que reside na cidade de São Carlos. Ela ficou conhecida na cidade a partir do surgimento do blog (http://lolabenvenutti.blogspot.com.br/) onde divulga os serviços sexuais prestados, suas fotos e publica  contos sobre as experiências vivenciadas com a clientela.

Lola Benvenutti

Lola Benvenutti

Dotada de uma percepção crítica da atividade exercida, Lola teve coragem e ousadia para afirmar que é garota de programa por opção e porque gosta! Sua história chocou muita gente e foi um tapa na cara daquel@s que insistem em perceber a prostituta como vítima ou coitadinha que presta serviços sexuais por falta de opções.

Lola nasceu e foi criada em uma família de classe média na cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo, filha de pai militar da reserva e mãe enfermeira,  não sofreu nenhum abuso, teve uma ótima educação, ingressou em uma universidade pública e não começou a fazer programas para custear os gastos com a  faculdade. Ela comenta em matéria cedida ao São Carlos em Rede: “Acho curioso o fato de as pessoas tentarem imaginar qual acontecimento familiar macabro me levou a este caminho. Lamento desapontá-los, mas a verdade é que tive ótima educação. Fui criada no sítio, com os melhores valores que alguém pode aprender. A questão é que eu amo sexo! Quando ainda era menor de idade, entrava em sites de relacionamento e marcava com homens que eu nunca tinha visto na vida. Tornar-me acompanhante foi apenas uma maneira de unir dois gostos: sexo e dinheiro”.

Diferentemente de Raquel Pacheco – a Bruna Surfistinha – que não se afirmava enquanto trabalhadora do sexo, Lola utiliza seu blog não apenas para divulgar os serviços sexuais prestados, mas também para problematizar o tabu em relação ao sexo e ao fato de cobrar por serviços sexuais.  Em matéria cedida a Felipe Turioni do G1, Lola fala sobre a hipocrisia de muitas pessoas que por um lado condenam essa prática, mas por outro reprimem seus próprios desejos. Lola diz: “As pessoas são hipócritas, vivem de sexo, veem vídeo pornográfico, mas não falam porque têm vergonha. Um monte de mulher entra no blog e fala que adoraria fazer o que eu faço, mas não tem coragem; e dos homens escuto as confissões mais loucas e cada vez mais esse tabu do sexo é uma coisa besta”, avaliou.

Certamente a coragem de Lola de mostrar-se – assumindo sua identidade e divulgando sua história – trará contribuições para descortinar faces não conhecidas do exercício do trabalho sexual.  Atividade multifacetada que não pode continuar sendo retratada como sinônimo de exploração, como bem têm nos mostrado Gabriela da Silva Leite – fundadora da ONG Davida – e agora Gabriela Natália da Silva – a Lola Benvenutti. Que venham outras Gabrielas! Aproveito a data e parabenizo a essas mulheres corajosas, perspicazes e trabalhadoras!

 

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