Mil faces de um homem leal – Racionais Mc’s homenageiam Marighella

“O gosto amargo da injustiça queima as entranhas, sangra o coração, exige o conduto político para não perder-se na revolta individual ou na abnegada fatalidade do destino”  (FREI BETTO, In: Batismo de Sangue).

Além do aniversário da cidade de São Carlos, 4 de novembro, também é aniversário póstumo de Carlos Marighella.  A noite de 4 de novembro de 1969 é narrada por Frei Betto, na obra O Batismo de Sangue, por meio da clássica partida de futebol, no estádio do Pacaembu, na qual o Corinthians impede o tão sonhado milésimo gol do Pelé, ao vencer por 4×1 com dois gols de Rivelino! Numa partida com portões abertos, estima-se que cerca de 65 mil pessoas estavam presentes e, no intervalo do jogo, ouviram a notícia da execução de Marighella.  Conforme narra Frei Betto: “De súbito, um ruído metálico de microfonia ressoou pelo estádio. Um ajustar de ferros puxados por corrente elétrica. Cessaram as batucadas, silenciaram as cornetas, murcharam as bandeiras em torno de seus mastros. O gramado vazio aprofundou o silêncio curioso da multidão. O locutor pediu atenção e deu a notícia, inusitada para um campo de futebol: Foi morto pela polícia o líder terrorista Carlos Marighella.”

Filho do operário Augusto Marighella – imigrante italiano da região de Emília – e da baiana Maria Rita – descendente dos negros haussás, escravos africanos trazidos do Sudão, sempre rebeldes à privação da liberdade – Carlos tornou-se militante e lutou contra o regime militar. Foi membro do PCB (Partido Comunista do Brasil) e fundou a ALN (Ação Libertadora Nacional). O programa básico do movimento dirigido por Carlos Marighella propunha, dentre outros objetivos, “derrubar a ditadura militar” e “formar um governo revolucionário do povo”; “expropriar os latifundiários” e “melhorar as condições de vida dos operários, dos camponeses e das classes médias” e “acabar com a censura, instituir a liberdade de imprensa, de crítica e de organização”.

O grupo de rap Racionais Mc’s lançou, recentemente, a canção “Mil faces de um homem leal” que homenageia Marighella como líder popular. Segue abaixo o vídeo que traz frases do próprio Mariguella gravadas originalmente quando ele e seus camaradas tomaram a Radio Nacional para transmitir mensagens subversivas. O clipe também faz homenagem aos Panteras Negras e aos movimentos sociais brasileiros.

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