Chega de impunidade: 20 anos após o massacre do Carandiru

Ontem, 02.10.12, completou 20 anos do massacre do Carandiru. Caso que gerou repercussão internacional e resultou na morte de 111 presos, após a Polícia Militar entrar no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, na zona norte de São Paulo,  sob o pretexto de pôr fim a uma rebelião dos detentos.

(Foto: Ernesto Rodrigues)

Parentes das vítimas do massacre realizaram, ontem,  na Sé (centro de São Paulo), um ato ecumênico em memória das vítimas e reivindicando o fim da impunidade.  É vergonhoso perceber que mesmo após 20 anos, os responsáveis pelo massacre continuam livres e ainda não foram julgados. A 2ª Vara do Júri marcou para o dia 28 de janeiro de 2013 o julgamento de parte dos réus acusados de participar do massacre. Todavia,  somente a tropa comandada pelo capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos (que atuou no 2º pavimento, liderando 26 homens) irá a júri. Eles são acusados de matar 15 pessoas.  E quem responderá pela morte dos demais 96 detentos assassinados?

Outro exemplo da impunidade pode ser percebido pelo julgamento do coronel Ubiratan Guimarães. Em 2001, ele foi julgado e condenado a 632 anos de prisão por comandar a ação no Carandiru.  Mas apesar disso, em fevereiro de 2006, o Tribunal de Justiça de São Paulo reinterpretou a decisão do 2.º Tribunal do Júri e decidiu absolver o coronel.

Tão vergonhoso quanto essa impunidade, são os comentários como “bandido bom é bandido morto”, frequentemente, veiculados em diferentes redes sociais por pessoas que  tentam negar a existência e a dor dos familiares das vítimas desse massacre. Esses comentários preconceituosos tendem a invisibilizar a manifestação de resistência organizada pelos familiares e desviam a atenção do que, realmente, deveria ser discutido: a falência do sistema prisional brasileiro. Pois não podemos esquecer que há 20 anos atrás, já existiam as rebeliões e as penitenciárias lotadas, mas poucos se questionam sobre como essa instituição poderá cumprir sua função de reabilitar o detento para o convívio social.

Sem questionamentos e reproduzindo frases prontas, continuaremos alimentando a violência, a desigualdade social e a desunião: de um lado os ditos “inocentes” e de outro os ditos “bandidos”.  Enquanto uns ficam com medo, outros “metem o lôco”!  Continuaremos sem saber o que gera o banditismo? Também há cerca de 20 anos, Chico Science, já nos dava pistas para essa indagação na letra de sua canção:

“E quem era inocente hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Banditismo por pura maldade
Banditismo por necessidade
Banditismo por uma questão de classe!
Banditismo por uma questão de classe!

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