Rio e Curitiba adotam medidas para reprimir propagandas de prostituição em orelhões

As cidades do Rio de Janeiro/RJ e Curitiba/PR adotaram medidas para reprimir o anúncio de serviços sexuais em telefones públicos. O anúncio usualmente é feito por meio de chamados “santinhos” (tiras de papel) afixados nos orelhões, os quais apresentam breve descrição dos serviços sexuais oferecidos e da pessoa que os ofertará.

No Rio de Janeiro, a polícia alega que iniciou a operação de repressão após receber denúncia de moradores que se sentiam ofendidos com os cartazes que mostram fotos de mulheres nuas -normalmente sem mostrar o rosto- e mensagens com conteúdo pornográfico. De acordo com a polícia, a prática é considerada ilegal por divulgar palavras obscenas e por danificar o patrimônio público. Segundo matéria (26.04.12) veiculada na Folha de São Paulo, desde a semana passada, policiais do Rio de Janeiro têm ligado para os números de telefone dos anúncios, marcam um encontro e vão até os endereços repassados. Como resultado dessa ação, quinze prostitutas e travestis foram detidas sob suspeita de colar cartazes com propagandas de prostituição em orelhões do bairro de Copacabana, na zona sul do Rio.

Já em matéria (29.03.12) divulgada no jornal A Gazeta do Povo, Katna Baran e Pedro Américo apontam que, após popularização do celular, os orelhões foram deixados de lado e passaram a cumprir uma função alternativa: a de balcão de anúncios de prostituição. Tanto que quem passeia pelo centro de Curitiba já se acostumou a ver os “papeizinhos” encaixados nos pequenos vãos do orelhão.  Conforme os autores, “os interessados no serviço utilizam a própria cabine para entrar em contato com as acompanhantes, seja para manter o anonimato do número de telefone particular ou do rosto que fica escondido na orelha gigante. São vestígios de privacidade em meio ao centro conturbado.” Nesta matéria, apresenta-se a opinião de Carmem Costa que já exerceu prostituição nas ruas de Curitiba e atua como coordenadora do grupo Liberdade (ONG de apoio às prostitutas),  para ela  “o problema não está nos panfletos, está no preconceito da sociedade”.

Carmem Costa diz que os reality shows, as novelas ou os comerciais de cremes são tão ou mais abusivos que as propagandas de sexo. “Acredito que todos os profissionais têm o direito de vender seu peixe, seja por meio da poluição visual ou sonora” defende. Com o mesmo argumento, Carmem defende o trabalho dos panfleteiros que afixam os anúncios nos orelhões da cidade: “Não sei sobre a versão legal ou jurídica, não me diz respeito, mas se não fosse o anúncio, a mulher ficaria ao lado do telefone procurando um programa, o que incomodaria muito mais”.

Em meio a esse polêmico debate, me pergunto: qual o lugar da prostituta?  Se a prostituta está na rua oferecendo serviços sexuais ela incomoda os transeuntes e comerciantes que se sentem “ameaçados” com sua presença, mas se ela colar anúncios para divulgar seus serviços incomodará os usuários de telefones públicos que se ofendem com as imagens veiculadas nos anúncios de prostituição e que não saberiam o que falar para seus filhos quando questionados acerca do que se trata aquelas imagens.  Tal como na canção de Antonio Barros interpretada por Ney Matogrosso, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Como as prostitutas poderão, então, exercer sua ocupação reconhecida desde 2002 pela Classificação Brasileira de Ocupações?

Sites consultados:  http://www.gazetadopovo.com.brhttp://www1.folha.uol.com.br

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