MOACIR GADOTTI FALA SOBRE FÓRUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO

Moacir Gadotti - Foto IPF

Em entrevista cedida a Pablo Gentili, o educador Moacir Gadotti – fundador do Instituto Paulo Freire e autor de diversos livros sobre educação – fala sobre o “Fórum Mundial de Educação – Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental” realizado em Porto Alegre entre os dias 24 e 29 de janeiro de 2012. Gadotti reconhece que ainda há muito que se modificar nesses fóruns visando a fomentar a participação de novos grupos sociais e a incorporar mais esforços, para isso sugere fazer uso da virtualidade, como redes sociais e outros meios de comunicação compatíveis com as modalidades de organização e comunicação de diferentes movimentos sociais e grupos de resistência ao neoliberalismo. Ele considera que os Fóruns tiveram um papel fundamental no sentido de questionar a ideologia neoliberal, embora a mesma ainda persista como prática social e marco de ação de governo em diferentes partes do mundo. Apresento, abaixo, trechos que traduzi dessa entrevista.

Gentili: Termina uma nova iniciativa do Fórum Social Mundial e uma nova edição do Fórum Mundial de Educação. Que balanço você faz destas experiências?

Gadotti: Após mais de dez anos do primeiro Fórum Social Mundial (FSM), temos de fazer um balanço, não só pelo tempo transcorrido, mas pelas mudanças ocorridas desde sua criação na América Latina e no mundo. Em 25 de janeiro de 2001, o FSM inaugurou um novo espaço para os movimentos populares e sociais, para as organizações não governamentais, um espaço autogestionário e sem donos. Isto foi expresso em todas as iniciativas criadas a partir do Fórum de Porto Alegre, como o Fórum Mundial de Educação (FME), o Fórum de Juízes e Parlamentares, o Fórum Mundial das Cidades, das Águas e muitos outros que surgiram desde então. Espaços de criação de ideias, de ebulição de propostas e de aglutinação de esforços, de articulação estratégica para gerar energia, força e ação na luta contra o neoliberalismo. A resistência às políticas neoliberais foi um grande aglutinador do primeiro Fórum e de todos os que o sucederam.

É interessante observar que esse Fórum Temático tem um perfil muito mais anticapitalista, porque é o capitalismo que está gerando essa enorme crise, como reconhecem os próprios intelectuais do grande capital, os mandatários das nações mais desenvolvidas do mundo, os dirigentes de seus bancos e agências financiadoras internacionais. Os Fóruns mostraram que o neoliberalismo estava equivocado e disso, hoje, quase ninguém duvida. Considero que um ponto forte tem sido a contribuição no sentido de derrotar o neoliberalismo como ideologia, embora ainda persista como prática. Como prática social e como marco para a ação do governo, de fato, o neoliberalismo ainda continua vivo em boa parte do mundo. Ainda assim, mais de dez anos depois, não podemos deixar de reconhecer que o FSM foi um ator fundamental nesta batalha.

Gentili: E o Fórum Mundial de Educação?

Gadotti: O FME seguiu um caminho semelhante ao do FSM que o deu origem. Crescemos, ganhamos visibilidade e elaboramos uma Plataforma Mundial de Luta pelo Direito à Educação que continua sendo, hoje, um documento de referência para muita gente que luta por uma educação emancipadora. Esta foi uma de nossas grandes contribuições: realizar um aporte a luta pelo direito humano a ter uma educação que seja radicalmente democrática, libertária, emancipadora. Creio que até o FSM de Nairobi, Quênia, em 2007, avançamos, crescemos e multiplicamos nossas ações. Depois, ganhamos capilaridade, é verdade, mas perdemos impacto.

Gentili: Em que reside a novidade deste Fórum?

Gadotti: A grande novidade deste Fórum é que propôs um tema aglutinador e que articula muitas experiências de luta e mobilização: a justiça ambiental. Cada vez mais, os movimentos sociais dão centralidade a luta ambiental, não apenas as organizações ecologistas. Houve uma evolução dos movimentos com relação a este tema na América Latina e em todo o mundo. Por isso, quando trazemos este tema ao campo educativo nos fortalecemos, já que tem um grande potencial de renovação do debate acerca da educação que queremos.

Fórum Mundia de Educação - Catálogo FST 2012

 A entrevista na íntegra pode ser visualizada no endereço:

http://fmejsa.forummundialeducacao.org/?p=979#more

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