Ativista protesta contra prostituição na Euro-2012

Uma ativista do grupo feminista Femen protestou contra a Euro-2012 fazendo topless na cerimônia que marcou a contagem regressiva para o início do campeonato que será realizado na Ucrânia e na Polônia. O protesto aconteceu na quarta-feira, 8 de junho, em Kiev e foi contido por seguranças da cerimônia. Levantando um cartão vermelho, a ativista tinha a frase “Euro 2012 sem prostituição” escrita nas costas. O grupo acredita que o mais importante campeonato europeu de seleções pode aumentar o turismo sexual na Ucrânia. As ativistas ficaram famosas por mostrar os seios em seus protestos.

Ativista do Femen

O grupo Femen foi criado, em 2008, por Anna Hutsol com um ato contra o turismo sexual na Ucrânia. O grupo tem como objetivo lutar contra a discriminação, a indústria do sexo e o turismo sexual e conta com a participação de cerca de 300 mulheres na faixa dos 18 a 20 anos de idade. Essas mulheres já manifestaram contra o apedrejamento da iraniana Sakineh (condenada por adultério), contra a polícia e contra o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi envolvido em escândalos sexuais.

Inna Shevchenko – estudante de jornalismo e membro do grupo – declarou em depoimento cedido a Revista O Globo: “Queremos chacoalhar as mulheres, fazê-las lutar por seus direitos (…) Não há nada errado em mostrar os seios na rua. Temos o direito de protestar usando o cérebro e outras partes do corpo. A ativista ideal do Femen é a mulher que tem a coragem de mostrar o corpo e gritar. Esta é a única forma que temos para lutar. Não temos dinheiro, não temos poder ou pessoas influentes que possam nos ajudar. Eu mostro os seios para chocar as pessoas, para chamar a atenção delas. Não precisamos nos vestir como homens para protestar. Somos mulheres! E podemos ser bonitas e sexies mesmo brigando por nossos direitos.”

Ativista do grupo em outro protesto

 O curioso é observar que as feministas desse grupo consideram válido tirar a roupa e usar o corpo como forma de protesto, mas julgam que é opressivo tomar as mesmas atitudes como forma de ocupação. Que tipo de lógica sustenta a crença de que algumas mulheres são ativistas ao tirar a roupa e outras são vítimas que precisam ser chacoalhadas para lutar por seus direitos? O movimento de organização das prostitutas tem demonstrado que prestar serviços sexuais, assumir-se como prostituta e reivindicar o protagonismo social constituem-se em formas tão válidas de lutar pelos direitos das mulheres como queimar ou tirar sutiã em praça pública.

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Fonte: http://oglobo.globo.com  (19/02/2011) ,   http://www1.folha.uol.com.b (08/06/2011)

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Tricolor97
    jan 06, 2012 @ 00:59:09

    Se assumir como puta, não torna a prostituição menos degradante.Não misture uma coisa com a outra.

    Responder

    • FabianaRSousa
      jan 09, 2012 @ 20:26:41

      Olá Joelson, Tudo bem? Não se trata de misturar as coisas, mas sim de expor pontos de vista distintos. Se para algumas pessoas a prática da prostituição é percebida como algo degradante, para outras ela é compreendida como trabalho sexual, isto é, como uma ocupação que pode ser desenvolvida voluntariamente por adultos. Não sei se você sabe, mas essa compreensão é respaldada pela Classificação Brasileira de Ocupações.
      atenciosamente,
      Fabiana

      Responder

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