15 anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás

Há 15 anos atrás, no dia de 17 de abril de 1996, uma marcha de trabalhadores rurais que seguia para Belém do Pará foi alvo da violência que culminou em um dos mais sangrentos massacres de nosso país – o chamado Massacre de Eldorado dos Carajás. Por seu simbolismo, a data tornou-se marco na luta pela terra no Brasil e no mundo. Embora tenha causado repercussão mundial, até hoje não houve punição aos criminosos. É sobre isso que escreve Robson Amaral da Silva, em texto, gentilmente, cedido para publicação em nosso blog.

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A IMPUNIDADE AINDA IMPERA!

Robson Amaral da Silva*

 Na verdade a questão agrária engole a

todos e a tudo, quem sabe  e quem não

sabe, quem vê e quem não vê, quem quer

e quem não quer

(MARTINS, 1994)

Talvez, o dia 17 de abril de 1996 não nos remeta a nenhuma data importante, pois afinal, já se passaram 15 anos. Porém, para inúmeras pessoas (e me incluo dentre elas), esta será uma data que não será esquecida. Me refiro ao chamado  “Massacre de Eldorado dos Carajás”, no qual 19 companheiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram brutalmente assassinados, e 69  foram  feridos por policiais militares do estado do Pará. O número assusta, pois estamos tratando de vidas humanas, do gênero humano, e não podemos ser indiferentes a tal situação.

O que nos impressiona também, e talvez muitos não saibam, por não ser interessante saber (pensarão os setores dominantes), é que passados todos estes anos do referido episódio, nenhum dos envolvidos  nos assassinatos  está preso.  Foram realizadas duas condenações, coronel  Mário Collares Pantoja e  major José Maria  Pereira  de Oliveira, mas  os mesmos aguardam julgamento do recurso em liberdade. Infelizmente esta morosidade da nossa justiça é uma faceta já conhecida!

Que este dia não fique marcado somente como “Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária”, instituído por Fernando Henrique Cardoso, então presidente na época do Massacre (alguma relação?), mas como mais um dos inúmeros motivos que temos para lutar por uma sociedade mais digna, justa e solidária.

A luta cotidiana de milhares de Sem Terra é uma luta de todos. Recoloca em pauta, a cada dia, a necessidade de estabelecermos relações efetivamente humanas, articuladas ao processo histórico que abarca a vida de todos. Que diariamente sintamos a necessidade de transformação desta sociedade no sentido de garantirmos existências genéricas ricas e multifacetadas.

 * Possui Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal de São Carlos-UFSCar (2005) e especialização em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG (2008). Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar (2010).

Há 15 anos, 19 trabalhadores foram mortos pela polícia. Apenas dois oficiais foram condenados, mas estão em liberdade. Fonte: http://noticias.r7.com

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