Marcha das vadias será realizada em São Carlos
23 mai 2012 Deixe um comentário
em Divulgação, Marcha das vadias
No próximo sábado – 26 de maio – será realizada na cidade de São Carlos mais uma edição da chamada Marcha das Vadias, movimento que visa a problematizar o assédio moral voltado às mulheres. O evento vem sendo organizado por estudantes da UFSCar e USP e tem como objetivo combater a violência contra as mulheres.
A manifestação almeja (re)significar o termo “vadia” comumente usado para imputar culpa às mulheres vítimas de agressões sexuais, de modo a estigmatizar todas as mulheres por adotarem comportamentos e vestimentas que segundo a moral vigente não condizem com o que se espera da chamada “mulher honesta”.
A Marcha será realizada em outras cidades e, em São Carlos, a concentração ocorrerá a partir das 9h na praça Santa Cruz e de lá as pessoas participantes seguirão pela Avenida São Carlos com destino à praça do Mercado Municipal.
Mocha Celis: escola para transgêneros se pauta nas contribuições de Paulo Freire
22 mai 2012 Deixe um comentário
em Divulgação, Educação
Mocha Celis é o nome atribuído à primeira escola de ensino médio voltada a travestis e transexuais na Argentina que funciona no bairro de Chacarita na capital. A escola é assim denominada em homenagem a Mocha Celis, uma travesti argentina que ficou conhecida no bairro de Flores (em Buenos Aires) devido à brutalidade de sua morte em decorrência de três tiros que recebeu na cabeça. Acredita-se que ela foi assassinada por um sargento das redondezas. O caso gerou revolta causando grande mobilização das pessoas, especialmente, de integrantes da comunidade LGBT.
O projeto começou durante uma conversa informal entre os atuais coordenadores da escola, Francisco Quiñones e Agustín Fuchs. Ambos já tinham experiência na área do cooperativismo e da educação popular. Em 2011, convocaram ativistas do movimento argentino para inaugurar a primeira escola voltada a atender o público. “Chegamos a conclusão de que seria ótimo poder montar um projeto de escola inclusiva para a população Trans e assim nasceu a Mocha Celis”, recorda Quiñones (JORNAL DO BRASIL, 22.05.12).
De acordo com Francisco Quiñones, o principal objetivo de uma escola popular como o Mocha Celis é integrar conteúdos de maneira a promover o maior intercâmbio de conhecimento possível. Por isso, na única sala de aula existente até o momento na escola, as cadeiras estão dispostas ao redor de uma única mesa central, onde se sentam alunos e professores e juntos definem as regras de convivência. As contribuições da Educação Popular e a obra do educador Paulo Freire são apontadas por Francisco como a inspiração para a concepção de educação e a metodologia adotadas na escola, onde ocorrem aulas de literatura, cooperativismo, matemática, noções digitais, memória e reconhecimento trans, entre outras matérias. O curso tem duração total de três anos.
O cartaz de divulgação da escola (acima) desvela o desejo de romper com o modelo sarmientista* de educação voltado a transmissão de conteúdos e à homogeinização das pessoas em vez da valorização da diversidade.
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* Domingo Faustino Sarmiento foi o primeiro presidente da República Argentina e reformou o sistema escolar argentino, universalizando a instrução pública.
Seminário com Carlos Rodrigues Brandão é realizado em São Carlos
22 mai 2012 Deixe um comentário
em Divulgação, Educação, Eventos
As integrantes do GETS – Fabiana Rodrigues de Sousa, Flávia do Carmo Ferreira, Maria Waldenez de Oliveira e Pâmela da Costa Garcia – participaram do seminário de aprofundamento de estudos “Pesquisa em Educação como Cultura”, no qual o professor Dr. Carlos Rodrigues Brandão* (UNICAMP) proferiu palestra sobre o fazer pesquisa . O evento foi promovido pelo Grupo de Pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos (UFSCar) e pela ONG De pés no chão: formação e mobilização comunitária (São Carlos) e organizado pela professora Dr. Valéria Oliveira de Vasconcelos.
O Seminário foi realizado no dia 19 de maio, na sede da referida ONG e contou com a participação de mais de 40 pessoas, dentre elas estudantes de graduação e pós-graduação, membros da ONG e profissionais da educação e saúde.
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* Carlos Rodrigues Brandão trabalha desde 1963 como educador popular. É autor de vários livros nas áreas de antropologia social, educação, questões ambientais e literatura. Há mais de 15 anos dedica-se ativamente ao ambientalismo e, de maneira especial, à educação ambiental. Mestre em antropologia social pela Universidade de Brasília (UnB), doutor em ciências sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e livre-docente pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Projetos de Educação Popular em Saúde desenvolvidos em São Carlos são premiados
10 mai 2012 Deixe um comentário
em Divulgação
Saiu o resultado do Prêmio Victor Valla de Educação Popular que teve como objetivo favorecer o fortalecimento de grupos e coletivos que desenvolvem ações de Educação Popular em Saúde. O prêmio consiste numa forma de homenagear Victor Vincent Valla (1937-2009) responsável pela consolidação da relação entre Educação Popular e a Saúde, deixando um legado que inspira a reflexão sobre os modos de viver e produzir saberes das classes populares e suas relações diretas com a saúde. Sua obra é uma referência significativa para as práticas de gestão participativa, cuidado e promoção da saúde no SUS.
Dentre os projetos premiados, quatro são desenvolvidos na cidade de São Carlos. Na categoria “produção audiovisual”, o primeiro lugar foi conquistado pelo projeto Mapeamentos de práticas populares de educação popular e saúde, cuja autoria é de Maria Waldenez de Oliveira (UFSCar). Na categoria “narrativas e relatos”, o projeto Idoso um olhar atento a arte integrando vidas de autoria de Nilva Helena Rodolfo Rodrigues (PMSC) obteve a décima colocação. E na categoria “pesquisas e sistematizações”, os projetos Morar e trabalhar na mesma comunidade: a visão do praticante de práticas populares de saúde, cuja autoria é de Hananiah Tardivo Quintana (UFSCar) e Mapeamento de experiências de educação popular e saúde de São Carlos de autoria de Aline Guerra Aquilante (UFSCar) obtiveram, respectivamente, a oitava e nona colocações. O resultado completo está disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/resultadofinal_victorvalla.pdf
Marcha das Vadias é realizada em Jerusalém
05 mai 2012 Deixe um comentário
em Divulgação, Marcha das vadias
Nesta sexta-feira (04.05.12), dezenas de mulheres israelenses – e também alguns homens – marcharam com poucas roupas pelo centro de Jerusalém em mais uma chamada SlutWalk – Marcha das Vadias (como é conhecido o movimento no Brasil). As participantes protestaram contra as justificativas para o assédio que recebem e defenderam o direito de se vestirem como quiserem. Destacando que o modo como se vestem não deve ser uma justificativa para legitimar o assédio e a violência sexual.
Manifestantes percorreram as ruas do centro da parte ocidental da cidade diante da perplexidade de transeuntes, cantando lemas como “Basta! Culpem o estuprador”, “Meu corpo é só meu”, dentre outros.
Prostitutas protestam nas ruas de Barcelona
04 mai 2012 Deixe um comentário
em Divulgação, Vídeo
Na quinta-feira (26.04.12) prostitutas saíram às ruas de Barcelona para protestar contra lei municipal que aumenta sanções contra a prostituição e almeja banir essa prática nas ruas da capital catalã.
A manifestação foi pacífica e as participantes usaram máscaras e cartazes com os dizeres como “Somos putas, deixem-nos trabalhar”, “As multas não nos libertam”, “Multas não, queremos trabalhar”, dentre outros. O ato teve início no bairro de Raval (área de prostituição da cidade) e passou pela Praça Sant Jaume onde foi realizada a leitura de um manifesto que afirma que as multas não acabam com a exploração sexual ou o tráfico de pessoas, mas que só reforçam o estigma contra as prostitutas.
Mais informações no blog: http://prostitutasindignadas.wordpress.com/
Rio e Curitiba adotam medidas para reprimir propagandas de prostituição em orelhões
27 abr 2012 Deixe um comentário
em Divulgação
No Rio de Janeiro, a polícia alega que iniciou a operação de repressão após receber denúncia de moradores que se sentiam ofendidos com os cartazes que mostram fotos de mulheres nuas -normalmente sem mostrar o rosto- e mensagens com conteúdo pornográfico. De acordo com a polícia, a prática é considerada ilegal por divulgar palavras obscenas e por danificar o patrimônio público. Segundo matéria (26.04.12) veiculada na Folha de São Paulo, desde a semana passada, policiais do Rio de Janeiro têm ligado para os números de telefone dos anúncios, marcam um encontro e vão até os endereços repassados. Como resultado dessa ação, quinze prostitutas e travestis foram detidas sob suspeita de colar cartazes com propagandas de prostituição em orelhões do bairro de Copacabana, na zona sul do Rio.
Já em matéria (29.03.12) divulgada no jornal A Gazeta do Povo, Katna Baran e Pedro Américo apontam que, após popularização do celular, os orelhões foram deixados de lado e passaram a cumprir uma função alternativa: a de balcão de anúncios de prostituição. Tanto que quem passeia pelo centro de Curitiba já se acostumou a ver os “papeizinhos” encaixados nos pequenos vãos do orelhão. Conforme os autores, “os interessados no serviço utilizam a própria cabine para entrar em contato com as acompanhantes, seja para manter o anonimato do número de telefone particular ou do rosto que fica escondido na orelha gigante. São vestígios de privacidade em meio ao centro conturbado.” Nesta matéria, apresenta-se a opinião de Carmem Costa que já exerceu prostituição nas ruas de Curitiba e atua como coordenadora do grupo Liberdade (ONG de apoio às prostitutas), para ela “o problema não está nos panfletos, está no preconceito da sociedade”.
Carmem Costa diz que os reality shows, as novelas ou os comerciais de cremes são tão ou mais abusivos que as propagandas de sexo. “Acredito que todos os profissionais têm o direito de vender seu peixe, seja por meio da poluição visual ou sonora” defende. Com o mesmo argumento, Carmem defende o trabalho dos panfleteiros que afixam os anúncios nos orelhões da cidade: “Não sei sobre a versão legal ou jurídica, não me diz respeito, mas se não fosse o anúncio, a mulher ficaria ao lado do telefone procurando um programa, o que incomodaria muito mais”.
Em meio a esse polêmico debate, me pergunto: qual o lugar da prostituta? Se a prostituta está na rua oferecendo serviços sexuais ela incomoda os transeuntes e comerciantes que se sentem “ameaçados” com sua presença, mas se ela colar anúncios para divulgar seus serviços incomodará os usuários de telefones públicos que se ofendem com as imagens veiculadas nos anúncios de prostituição e que não saberiam o que falar para seus filhos quando questionados acerca do que se trata aquelas imagens. Tal como na canção de Antonio Barros interpretada por Ney Matogrosso, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Como as prostitutas poderão, então, exercer sua ocupação reconhecida desde 2002 pela Classificação Brasileira de Ocupações?
Sites consultados: http://www.gazetadopovo.com.br ; http://www1.folha.uol.com.br
Supremo Tribunal Federal aprova cotas para universidades públicas
27 abr 2012 Deixe um comentário
em Divulgação, Educação
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou por unanimidade a legalidade das cotas raciais para as universidades. No caso julgado ontem, o STF concluiu que a política de cotas estabelecida pela Universidade de Brasília (UnB) não viola a Constituição. O sistema dessa universidade reserva 20% das vagas de cada vestibular para negros e pardos e havia sido questionado pelo partido Democratas (DEM), que alegou violação aos princípios da igualdade e da razoabilidade.
Os argumentos da legenda não convenceram os ministros que aprovaram por 10 votos a zero, em sessão plenária concluída ontem (26.04.12), que a política de cotas da UnB é constitucional. Em plenário, prevaleceu o voto proferido pelo ministro Ricardo Lewandowski. Relator do processo que começou a ser julgado na quarta-feira, ele ressaltou a importância de iniciativas voltadas para a redução da desigualdade no país. Ele defende que as cotas da UnB sirvam de modelo para o Brasil, vigorando por um tempo determinado enquanto a desigualdade perdurar.
O julgamento foi interrompido devido a uma manifestação do indígena Araju Sepete Guarani que protestava pelo direito de cotas para indígenas em universidades e chegou a ser retirado à força do plenário pelos seguranças do Supremo Tribunal Federal. Após ser retomada a sessão, o ministro Luiz Fux citou os direitos dos indígenas e votou a favor das cotas.
Os dez ministros – Dias Toffoli* não participou do julgamento – deram o aval para que universidades brasileiras reservem vagas para negros e índios em seus processos seletivos e afirmaram que as ações afirmativas são necessárias para diminuir desigualdades e compensar uma dívida resultante de séculos de escravidão. Atualmente, segundo dados da ONG Educafro, 129 instituições públicas brasileiras têm algum tipo de ação afirmativa para a seleção de candidatos, sendo que 57 delas são federais.

Grupo em frente ao Supremo pede continuidade do sistema de cotas em universidades (Foto: Débora Santos )
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* O ministro Antonio Dias Toffoli se declarou impedido de participar, por ter se manifestando favoravelmente ao sistema da cotas quando era advogado-geral da União
Retrocesso
20 abr 2012 Deixe um comentário
em Divulgação
Por Flávia do Carmo Ferreira (mestre em Educação e integrante do GETS)
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Considerando que:
- Segundo o Código penal, vigente, o ato de prostituir-se não é crime, no entanto, quem mantém casas de prostituição está sujeito a pena de reclusão de 2 a 5 anos mais multa.
- Tramita no Congresso Nacional proposta da comissão do Senado de reforma do Código Penal que prevê o fim de punições para donos de prostíbulos. A proposta deve ser enviada para a apreciação do Senado no final de maio, segundo o Jornal Folha de São Paulo.
Enquanto a esfera federal dá um passo importantíssimo para acabar com o “cinismo” moral da atual legislação o município de São Carlos, segundo reportagem, da mesma Folha de São Paulo, do dia 19 de abril, quer exterminar a prostituição na região central da cidade punindo as pessoas que alugam casas para a prática do ato sexual. Segundo o secretário de Governo de São Carlos, João Muller, a prefeitura colocou mais guardas civis na região. Como a prostituição não é crime o foco da prefeitura, segundo Muller, são os locais usados para os programas, como pensões. “Vamos combater pesadamente os comércios que estão alugando ou fornecendo locais para prática do sexo.” A esfera municipal nos brinda com o péssimo hábito de varrer o que considera sujo para debaixo do tapete e se recusa a ampliar a discussão e entender a prática social da prostituição como um direito sexual.
Comerciantes de São Carlos temem que presença de prostitutas afastem os clientes
20 abr 2012 Deixe um comentário
em Divulgação
Em matéria divulgada ontem (19/04/12) no Caderno Ribeirão da Folha de São Paulo, destaca-se o crescimento da prostituição no centro da cidade de São Carlos na região da Baixada, mais especificamente nas imediações do Mercado Municipal. Como se trata de uma tradicional área de comércio da cidade, os comerciantes manifestaram preocupação que a presença de prostitutas possa afastar os clientes.
Com relação a essa preocupação, Alfredo Maffei Neto (presidente da Associação Comercial e Industrial de São Carlos) disse, na referida matéria, que a ação contra a prostituição deve ocorrer como forma de prevenir a fuga de clientes do local. Tendo em vista que a prostituição não é considerada um delito em nosso Código Penal e que, portanto, as prostitutas que se encontram na região da Baixada não podem ser retiradas do local, a ação de repressão à prostituição na cidade – fruto de parceria entre prefeitura e polícia – será implementada por meio do reforço policial no local e do combate ao aluguel de quartos em pensões e casas, buscando dessa forma coibir o favorecimento à prostituição e a manutenção de casa de prostituição (artigos 228 e 229 do Código Penal). A ação parece não levar em conta o atual debate da Comissão do Senado no sentido de legalizar casas de prostituição (a esse respeito ler o post Retrocesso publicado nesse blog).
Ao menos, esse tipo de ação de repressão à prostituição não é hipócrita a ponto de dizer que visa a defender os direitos humanos das “mulheres em situação de prostituição”, tanto que explicita que sua motivação é defender o lucro dos comerciantes da região, embora não leve em consideração que a prostituta também tem o direito de prestar serviços sexuais, de formar sua clientela e de obter lucro por meio dos serviços prestados. Se por um lado os comerciantes de São Carlos temem a presença de prostitutas, por outro fica a indagação : será que eles estariam dispostos a abrir mão do lucro oriundo do dinheiro gasto no comércio local pelas diversas pessoas envolvidas no mercado do sexo?





